O cansaço na estrada exige uma pausa, mas o acostamento não é o lugar certo para trocar de motorista. Entenda por que essa prática é um risco e aprenda a planejar paradas seguras.
Olyvio Marques
Editor · Trânsito · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma família, após horas de viagem, decide parar no acostamento para trocar de motorista. Embora pareça uma solução rápida para o cansaço, essa prática comum esconde sérios riscos e pode ser ilegal. O acostamento tem funções específicas de segurança e não deve ser utilizado como um ponto de descanso planejado. Atualizado em 25 de setembro de 2026.
O acostamento é uma área destinada a imobilizações em situações de emergência, como panes mecânicas ou problemas de saúde. Usá-lo para uma troca programada de condutor coloca os ocupantes do veículo perigosamente próximos ao fluxo de tráfego em alta velocidade, conforme detalhado em análises de segurança viária. Durante a troca, abrir portas e caminhar ao redor do carro amplia a exposição ao perigo, especialmente em trechos com pouca largura, baixa visibilidade ou tráfego intenso de veículos pesados.
A legislação é clara sobre o uso inadequado do acostamento. O artigo 181, inciso VII, do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) prevê que estacionar nesse espaço é uma infração leve, salvo por motivo de força maior. A penalidade inclui multa e a medida administrativa de remoção do veículo. Uma troca planejada de motorista devido ao cansaço não se enquadra, em geral, como uma emergência que justifique a parada.
No vocabulário do trânsito, há uma diferença crucial entre "parada" e "estacionamento". Parada é a imobilização breve para embarque ou desembarque. A troca de motoristas, mesmo que rápida, é caracterizada como estacionamento. De acordo com o CTB, ações como manter o motor ligado ou acionar o pisca-alerta não anulam a irregularidade da manobra.
O planejamento é a ferramenta mais eficaz para evitar riscos. As paradas de descanso devem ser programadas em locais onde o veículo possa estacionar regularmente e com segurança, como postos de combustíveis, restaurantes e áreas de apoio designadas. O planejamento da viagem deve incluir a identificação prévia desses Pontos de Parada e Descanso (PPDs).
Sim. Estacionar no acostamento sem motivo de força maior é considerado uma infração de trânsito leve, conforme o artigo 181 do CTB. A prática resulta em multa e pontos na CNH.
Emergências incluem pane mecânica, pneu furado ou um mal súbito do condutor que o impeça de continuar dirigindo com segurança. O cansaço progressivo, que pode ser gerenciado com planejamento, não é classificado como uma emergência súbita.
O ideal é planejar o trajeto mapeando postos e áreas de descanso seguras. Defina previamente os turnos de direção e respeite os sinais de cansaço de cada um. A comunicação aberta e o planejamento conjunto evitam decisões arriscadas na estrada.
A segurança em viagens familiares depende de decisões prudentes. O acostamento é uma área de escape para imprevistos, não um ponto de conveniência. Ao planejar suas paradas em locais seguros e adequados, você protege sua família, evita multas e garante que todos cheguem ao destino em segurança.
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