Condenado pelo STF, João Giffoni usou embalagens e retalhos de papel para registrar memórias do cárcere e atendimentos a 300 detentos. Saiba mais sobre a obra.
Olyvio Marques
Editor · Política · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O psicólogo João Giffoni, de 28 anos, condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por participação nos atos de 8 de janeiro, escreveu um livro durante os sete meses em que esteve detido no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Utilizando embalagens de suco e retalhos de papel, ele registrou suas memórias, reflexões e o atendimento voluntário a cerca de 300 detentos. A obra foi intitulada "Cruzando a Tempestade do 8 de janeiro". Atualizado em 28 de julho de 2026.
Sem acesso a cadernos ou folhas de papel, João Giffoni, especialista em neuropsicologia, reaproveitou materiais que encontrava no lixo ou no chão da cela, conforme relatos publicados pela Gazeta do Povo. Ele utilizou principalmente o verso de embalagens de suco vazias para transcrever seus pensamentos e a rotina na prisão. Após obter liberdade provisória em agosto de 2023, ele organizou e transcreveu os registros para publicar o livro.
Durante o período de encarceramento, Giffoni aplicou seus conhecimentos profissionais para oferecer suporte emocional voluntário. Segundo o portal ND Mais, ele atendeu aproximadamente 300 pessoas, incluindo outros investigados pelos atos antidemocráticos e presos por outros crimes. O psicólogo aplicou dinâmicas de educação emocional para ajudar os detentos a lidarem com o sofrimento e a superlotação das celas. Ele se inspirou na experiência do psiquiatra judeu Viktor Frankl, autor do livro "Em Busca de Sentido", que sobreviveu a campos de concentração nazistas. "Busquei seguir os passos de Frankl para também encontrar sentido naquela situação, sobreviver e não enlouquecer", afirmou Giffoni em entrevista.
A obra é dividida em quatro seções principais, que abordam desde os eventos do dia 8 de janeiro até reflexões sobre fé e superação. De acordo com as fontes, a estrutura é a seguinte:
João Giffoni é um psicólogo brasiliense de 28 anos, especialista em neuropsicologia. Ele participou das manifestações de 8 de janeiro de 2023, foi preso e levado ao Complexo da Papuda. Atualmente, reside na Argentina.
Ele foi julgado e condenado pelo STF a uma pena de 14 anos de reclusão. Em agosto de 2023, obteve liberdade provisória com o uso de tornozeleira eletrônica, conforme apurado pelo ND Mais e pela Gazeta do Povo.
O livro "Cruzando a Tempestade do 8 de janeiro" está disponível para venda na plataforma Amazon pelo valor de R$ 59. Segundo a Gazeta do Povo, o primeiro estoque da obra esgotou rapidamente após o lançamento.
A história de João Giffoni na Papuda destaca um caso de resiliência e aplicação do conhecimento profissional em um ambiente adverso. Ao transformar embalagens de suco em páginas de um livro, ele não apenas documentou sua experiência, mas também ofereceu apoio a centenas de outros detentos, buscando um propósito em meio ao sofrimento, inspirado por figuras históricas da psicologia.
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