Fragmento que pode ser de Luciano Boeira Melos foi achado em área de difícil acesso após réu confesso guiar a polícia. Entenda os detalhes da operação.
Olyvio Marques
Editor · Polícia · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Um fragmento de osso que pode ser do caminhoneiro Luciano Boeira de Melos, desaparecido há três anos, foi encontrado nesta quarta-feira (29) em Bom Jesus. A localização só foi possível porque o réu confesso Felipe Silveira Noronha guiou a polícia até uma área de mata fechada, descrita pelo delegado do caso como um ponto que "apenas o Felipe conhecia". Atualizado em 29 de julho de 2026.
O ponto onde o fragmento foi achado fica na localidade de Caraúno, interior de Bom Jesus, em uma área de acesso extremamente difícil. Segundo o delegado Gustavo Costa do Amaral, que coordenou a operação, a equipe de 15 policiais precisou de veículos 4x4 para um trajeto de 40 minutos, seguido por uma caminhada de uma hora e meia por mata fechada, plantações e um riacho.
"É um local de acesso muito difícil e que apenas o Felipe conhecia", detalhou o delegado Amaral. O corpo teria sido deixado em uma pequena abertura ao lado de uma cachoeira e coberto por pedras, o que dificultou o trabalho dos agentes devido ao volume de água.
A operação foi desencadeada após Felipe Silveira Noronha confessar o crime na noite de terça-feira (28), durante seu julgamento. Em uma sessão a portas fechadas, ele indicou em um mapa o local exato onde teria ocultado o corpo de Luciano.
Em seu depoimento, Felipe afirmou ter agido sozinho, matando o caminhoneiro com um rifle após descobrir um relacionamento extraconjugal entre a vítima e sua esposa, Fabiana Ramos Saraiva. Ele alegou que seu irmão, Flávio, apenas o ajudou a descartar a motocicleta de Luciano em um rio.
O fragmento de osso foi encaminhado ao Instituto-Geral de Perícias (IGP) para análise de DNA. A expectativa é que o resultado, que confirmará se o material pertence a Luciano, saia em cerca de 30 dias. O perfil genético será comparado com amostras de familiares da vítima.
As buscas na região serão retomadas e ampliadas na quinta-feira (30), com o apoio do Corpo de Bombeiros de Vacaria, que focará na área abaixo da cachoeira. A polícia considera a hipótese de que parte dos restos mortais tenha sido levada pela correnteza ao longo dos últimos três anos.
Luciano era um caminhoneiro de 27 anos que desapareceu na noite de 26 de julho de 2023, em Bom Jesus, após sair de casa para, supostamente, encontrar uma mulher na localidade de Caraúno. Desde então, ele nunca mais foi visto.
Durante seu interrogatório no Tribunal do Júri, ele admitiu ter matado Luciano por ciúmes, após descobrir um relacionamento extraconjugal entre a vítima e sua então companheira. Após a confissão, ele colaborou com a polícia indicando o local do corpo.
Apesar da confissão e da nova operação de busca, o júri popular dos quatro réus — Felipe, seu irmão Flávio, sua ex-companheira Fabiana e o pai dela, José Balduíno — continuou normalmente, com a sentença prevista para ser anunciada ao final do dia.
A confissão de Felipe Silveira Noronha e a subsequente descoberta de um fragmento ósseo representam um avanço crucial no caso do desaparecimento de Luciano Boeira de Melos. Enquanto a confirmação da identidade depende da perícia, a indicação de um local secreto pelo réu reforça as investigações e pode, após três anos de angústia, trazer respostas e um desfecho para a família da vítima.
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