Ministério Público de São Paulo move ação civil pública contra Leonardo Marcondes por aporofobia após vídeo polêmico. Entenda os pedidos e as acusações.
Olyvio Marques
Editor · Esportes · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) ajuizou uma ação civil pública contra o influenciador Leonardo Marcondes, conhecido como "Treinador Financeiro", pedindo uma indenização de R$ 300 mil por danos morais coletivos. A medida foi tomada após Marcondes publicar um vídeo, em 26 de dezembro de 2025, defendendo que pessoas pobres não deveriam ter o direito de votar. Atualizado em 30 de junho de 2026.
A ação, movida pela Promotoria de Direitos Humanos da Capital, classifica a conduta do influenciador como aporofobia, termo que define o ódio ou aversão a pessoas pobres. Segundo o promotor Ricardo Manuel Castro, responsável pelo caso, as declarações de Marcondes ultrapassam os limites da liberdade de expressão e configuram discurso de ódio, atentando contra a dignidade humana e o regime democrático, conforme apurado pelo O Globo e outros veículos.
Além da indenização de R$ 300 mil, que seria revertida para o Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos (FID), o MP-SP solicita à Justiça:
A empresa Meta, controladora do Instagram, também foi incluída como ré na ação, sendo requisitada a preservar os dados da conta para fins probatórios, de acordo com o portal Metrópoles.
No vídeo publicado em seu perfil, que conta com mais de 1,3 milhão de seguidores, Leonardo Marcondes questiona o direito ao voto para a população de baixa renda. "Você já parou para pensar que pobre não devia ter direito de votar? Pensa comigo. Uma pessoa que é pobre, ela não soube tomar boas decisões para ter o melhor para sua família e para si mesma", afirma ele na gravação, conforme divulgado pelo Poder360.
Durante a investigação, Marcondes alegou que utilizava a palavra "pobre" em sentido figurado, para se referir a uma "mentalidade" e não à condição financeira. No entanto, o MP-SP sustenta que as publicações contradizem essa versão, associando diretamente a pobreza a características depreciativas e defendendo a restrição de direitos com base na situação econômica.
Leonardo Marcondes, também conhecido como Léo Marcondes, é um influenciador digital que se apresenta como "treinador financeiro", coach e empresário. Ex-atleta profissional, ele produz conteúdo sobre desenvolvimento pessoal e educação financeira para mais de 1,3 milhão de seguidores no Instagram.
Aporofobia é o termo que designa o preconceito, a aversão, o desprezo ou o ódio contra pessoas pobres ou em situação de vulnerabilidade econômica. A conduta é considerada uma forma de discriminação que atenta contra os direitos humanos.
O Ministério Público pede uma condenação ao pagamento de R$ 300 mil por danos morais coletivos, a remoção de seu perfil no Instagram, a proibição de novas postagens discriminatórias e a participação obrigatória em um curso sobre inclusão social e aporofobia.
A ação do Ministério Público de São Paulo contra Leonardo Marcondes estabelece um importante precedente no debate sobre os limites da liberdade de expressão nas redes sociais. O caso reforça que discursos que promovem o ódio e a discriminação contra grupos vulneráveis podem ter consequências legais severas, buscando proteger os princípios de igualdade e dignidade previstos na Constituição.
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