Empresa de Willer Tomaz solicitou ampliação de mansão em Angra dos Reis horas após Cláudio Castro afrouxar regras ambientais. Entenda a disputa com Richarlison.
Olyvio Marques
Editor · Esportes · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma empresa do advogado Willer Tomaz protocolou um pedido para ampliar uma construção na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, no mesmo dia em que o então governador Cláudio Castro (PL) publicou um decreto que afrouxava as regras de proteção ambiental na região. A propriedade é o centro de uma intensa disputa judicial com o jogador de futebol Richarlison. Atualizado em 29 de outubro de 2026.
No dia 20 de março de 2026, o governo do Rio de Janeiro publicou um decreto assinado por Cláudio Castro que revogava os planos de manejo de áreas de proteção, incluindo a APA de Tamoios, onde fica a ilha disputada. A medida foi uma das últimas de Castro antes de renunciar ao cargo, três dias depois.
Apenas algumas horas após a publicação, a empresa WT Administração de Imóveis, ligada a Tomaz, apresentou um requerimento ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea). O pedido, citando expressamente o novo decreto, solicitava a ampliação da taxa de ocupação do terreno de 15% para 30%, conforme apurado pelo G1 e O Globo. O projeto previa a construção de uma residência com mais de 700 metros quadrados, um cais e uma academia.
O então presidente do Inea, Renato Bussiere, deu prosseguimento ao processo em um despacho assinado depois da meia-noite, às 0h21 do dia 21 de março.
A Ilha Comprida é alvo de uma batalha nos tribunais. O atacante Richarlison afirma ter comprado a mansão em outubro de 2020, com um investimento total de cerca de R$ 10 milhões na aquisição e reforma. Ele acusa Tomaz e seu amigo, o senador Flávio Bolsonaro (PL), de terem usado uma "manobra jurídica" para tomar a propriedade.
Segundo o jogador, o conflito começou após Flávio Bolsonaro visitar o local, tentar comprá-lo e ter a oferta recusada. Willer Tomaz, por sua vez, contesta a versão e afirma que Richarlison negociou com um ocupante da área, e não com o proprietário legal. O advogado alega ter adquirido o imóvel diretamente da empresa que detinha a titularidade desde 1986, com escritura e todos os registros necessários.
Procurados pela imprensa, os envolvidos apresentaram suas versões dos fatos:
Não, o pedido não avançou. O decreto de Cláudio Castro que o fundamentava foi revogado cerca de 20 dias após sua publicação pelo governador interino, Ricardo Couto, em meio a protestos de ambientalistas. Com isso, a solicitação perdeu sua base legal.
O senador é amigo de Willer Tomaz e visitou a ilha antes do início da disputa judicial. Richarlison o acusa de se aliar a Tomaz para tomar a propriedade após ter uma oferta de compra recusada. A disputa pela ilha foi incorporada a um inquérito da Polícia Federal que investiga as relações entre Flávio e Tomaz por suspeita de lavagem de dinheiro.
Sim. No mesmo dia 20 de março, uma empresa ligada a Tomaz também apresentou um projeto para a construção de um resort de luxo na Ilha José André, também em Angra dos Reis e dentro da APA de Tamoios, usando o mesmo decreto como base. Este pedido também não foi autorizado.
A revelação de que o pedido de ampliação da obra foi feito no mesmo dia da publicação do decreto ambiental de Cláudio Castro adiciona uma nova camada à complexa disputa entre Willer Tomaz e Richarlison. Embora o projeto não tenha sido aprovado, o episódio levanta questionamentos sobre a coincidência de datas e a relação entre interesses privados e atos do poder público, com o caso sendo acompanhado de perto pela Polícia Federal.
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