Uma caminhoneira aposentada comprou uma pintura por US$ 5 em um brechó. Anos depois, uma perícia sugeriu ser um Jackson Pollock. Entenda a polêmica.
Olyvio Marques
Editor · Curiosidades · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma caminhoneira aposentada que comprou um quadro por apenas US$ 5 (cerca de R$ 26) em um brechó em 1992 pode ter encontrado uma obra perdida do pintor Jackson Pollock, com potencial de valer milhões. A história de Teri Horton, que faleceu sem vender a pintura, virou um documentário e um dos casos mais fascinantes e controversos do mundo da arte. Atualizado em 22 de junho de 2026.
Em 1992, Teri Horton, uma motorista de caminhão aposentada, entrou em uma loja de segunda mão em San Bernardino, Califórnia, procurando um presente para animar uma amiga. De acordo com o documentário "Who the #$&% Is Jackson Pollock?", ela comprou uma grande pintura abstrata por US$ 5, que descreveu como "horrenda". Sua amiga recusou o presente por falta de espaço, e Horton decidiu revendê-la em uma venda de garagem.
Foi nesse momento que um professor de arte local sugeriu que a obra poderia ser de Jackson Pollock, um dos principais nomes do Expressionismo Abstrato. A resposta de Horton, que deu nome ao documentário de 2006, foi: "Quem diabos é Jackson Pollock?". A partir dali, ela iniciou uma jornada de décadas para provar a autenticidade da pintura.
Para validar a obra, Horton contratou o perito forense Peter Paul Biro. A análise de Biro revelou uma impressão digital parcial no verso da tela que, segundo ele, correspondia a uma encontrada em uma lata de tinta no antigo estúdio de Pollock. Além disso, os pigmentos da pintura eram consistentes com os materiais usados pelo artista nos anos 1940 e 1950, conforme relatado pelo portal RedKalion.
Apesar das evidências forenses, o mundo da arte permaneceu cético. Instituições como a Fundação Internacional para Pesquisa de Arte (IFAR) não autenticaram a obra, citando a falta de procedência (histórico de propriedade) e supostas discrepâncias estilísticas, como informa o Los Angeles Times.
Mesmo sem a chancela oficial, a história de Horton atraiu colecionadores. Ela recebeu ofertas que chegaram a US$ 2 milhões e até US$ 9 milhões, mas recusou todas. Convencida do valor da sua descoberta, ela afirmava que a pintura valia US$ 50 milhões.
Teri Horton morreu em 2019, aos 86 anos, sem nunca ter vendido a pintura. Seu filho, Bill Page, herdou a obra e a missão de vendê-la, embora com uma perspectiva mais realista sobre o valor. "Eu aceitaria US$ 50 milhões se a pintura pudesse ser autenticada, mas estou sendo realista e não vou lutar contra o mundo da arte como minha mãe fez", disse ele ao Los Angeles Times.
Não. Teri Horton faleceu em 2019 sem vender a pintura. A obra foi herdada por seu filho, Bill Page, que ainda busca um comprador, mas a peça continua sem autenticação oficial do mercado de arte.
O valor é disputado. Horton recusou ofertas de US$ 2 milhões e US$ 9 milhões, acreditando que a obra valia US$ 50 milhões. Seu filho estima um valor mais próximo de US$ 10 a US$ 15 milhões (quase R$ 77 milhões), considerando sua notoriedade.
A principal evidência a favor da autenticidade veio de uma análise forense realizada por Peter Paul Biro, que encontrou uma impressão digital no verso da tela compatível com uma de Jackson Pollock, além de pigmentos consistentes com os materiais do artista.
A saga de Teri Horton e seu possível Jackson Pollock de US$ 5 é uma história sobre a colisão entre evidências científicas e o tradicionalismo do mercado de arte. A pintura, que começou como um presente rejeitado, tornou-se um símbolo da luta de uma pessoa comum contra o sistema, deixando um legado de controvérsia e fascínio que perdura até hoje.
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