Em 1977, um bloco de gelo de 1,1 tonelada viajou do Alasca a Iowa para uma conferência. Entenda o plano audacioso para usar icebergs como fonte de água.
Olyvio Marques
Editor · Curiosidades · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Em 1977, um ambicioso experimento levou um bloco de gelo de 1.133 kg do Alasca até Iowa, nos Estados Unidos, para testar uma ideia ousada: usar icebergs como fonte de água doce para regiões áridas. A operação fez parte da Primeira Conferência Internacional sobre Utilização de Icebergs, que reuniu cerca de 200 especialistas de 18 países para debater a viabilidade de rebocar gigantes de gelo pelos oceanos. Atualizado em 23 de setembro de 2026.
A iniciativa surgiu em um contexto de crescente preocupação com a escassez hídrica global. A conferência, realizada entre 2 e 6 de outubro de 1977 na Universidade Estadual de Iowa, em Ames, reuniu cientistas, engenheiros e representantes políticos para discutir a proposta de levar gelo polar a territórios com pouca disponibilidade de água, como a Arábia Saudita. O bloco de gelo, com idade estimada em 10 mil anos, serviu como uma demonstração física para os participantes, permitindo analisar suas características e os desafios do transporte.
Transportar uma tonelada de gelo por milhares de quilômetros exigiu uma operação meticulosa. O bloco, com cerca de 1,8 metro por 1,5 metro, foi extraído da geleira Portage, perto de Anchorage, no Alasca, e passou por um percurso multi-modal para minimizar o derretimento:
O principal interessado no projeto era o príncipe saudita Mohamed Al-Faisal, que buscava alternativas para o abastecimento de água na Arábia Saudita, um país que já dependia de caros processos de dessalinização. Conforme registros da universidade, Al-Faisal contribuiu com US$ 50 mil para a conferência, enquanto a National Science Foundation dos EUA destinou outros US$ 25 mil. O custo apenas do transporte do bloco de gelo variou entre US$ 8.500 e US$ 10 mil, segundo fontes da época, o que lhe rendeu o apelido de "o cubo de gelo mais caro do mundo".
Apesar da demonstração bem-sucedida em Iowa, a conferência não comprovou a viabilidade comercial de rebocar icebergs em grande escala. Os desafios técnicos e econômicos se mostraram imensos, incluindo o alto consumo de combustível, o derretimento durante a travessia por águas mais quentes e a dificuldade de controlar a estabilidade de uma massa de gelo tão grande. O interesse no projeto diminuiu nos anos seguintes e, em 1982, os principais organizadores já haviam encerrado seu envolvimento. A ideia, no entanto, impulsionou pesquisas em áreas como modelagem climática e dessalinização.
O objetivo era realizar uma demonstração prática durante a Primeira Conferência Internacional sobre Utilização de Icebergs, estudando os desafios de transportar gelo por longas distâncias para avaliar a viabilidade de usar icebergs como fonte de água doce para regiões áridas.
Fontes históricas apontam que o custo da operação ficou entre US$ 8.500 e US$ 10.000 em valores de 1977. A variação ocorre devido a diferentes registros da época, incluindo documentos do projeto e reportagens jornalísticas.
O principal apoiador era o príncipe Mohamed Al-Faisal, da Arábia Saudita, que via na proposta uma alternativa potencial aos caros sistemas de dessalinização para abastecer seu país, marcado pela aridez.
O transporte do bloco de gelo do Alasca para Iowa em 1977 permanece como um fascinante capítulo na história da busca por soluções para a escassez de água. Embora o plano de rebocar icebergs não tenha se tornado uma realidade prática, o experimento destacou a complexidade do desafio e serviu como um registro da criatividade e ambição da ciência diante de problemas globais.
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