Uma força-tarefa em Porto Seguro (BA) retirou quase 500 peixes-leão do mar. A ação, que paga R$ 10 por exemplar, foi prorrogada. Entenda a ameaça.
Olyvio Marques
Editor · Bahia · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Quase 500 exemplares do peixe-leão, uma espécie invasora e venenosa, foram retirados da costa de Porto Seguro, no sul da Bahia, em cerca de um mês. A ação faz parte do Plano Municipal de Enfrentamento ao Peixe-Leão e oferece um incentivo de R$ 10 por cada animal capturado e entregue por pescadores. Atualizado em 29 de agosto de 2026.
A captura é resultado de uma parceria entre a Colônia de Pescadores local e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Causa Animal (Semac). Segundo informações do portal Rota51, os pescadores entregam os peixes na sede da Colônia e recebem o pagamento. A medida, inicialmente temporária, foi mantida por mais 30 dias para ampliar o monitoramento e a pesquisa.
O controle é realizado de duas formas distintas, conforme apurado pelo site O Baianao:
Originário do Indo-Pacífico, o peixe-leão (Pterois volitans) não possui predadores naturais na costa brasileira, o que facilita sua proliferação. De acordo com o G1, a espécie se reproduz rapidamente, podendo uma fêmea colocar até 30 mil ovos que eclodem em 26 dias. Seu apetite voraz ameaça a biodiversidade local, pois consome peixes e crustáceos nativos, desequilibrando os recifes de corais e impactando a pesca artesanal.
O animal possui 18 espinhos venenosos. O contato acidental pode causar dor intensa e, dependendo da quantidade de peçonha, levar a alterações de pressão arterial ou até convulsões. No entanto, não há risco direto para banhistas na beira da praia, pois a espécie habita recifes de coral e formações rochosas submersas.
Todos os exemplares recolhidos são encaminhados para a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Conforme detalhado pelo Rota51, os pesquisadores realizam estudos sobre a alimentação, genética, tamanho e comportamento da espécie. O objetivo é entender a rota de dispersão do invasor e apoiar pesquisas sobre o possível beneficiamento do pescado para inserção em uma cadeia produtiva.
"O incentivo não é solução permanente, mas ajuda a pesquisa e o controle neste primeiro momento", explicou a oceanógrafa da Semac, Martina Rossato.
Não diretamente. O peixe-leão vive em recifes de corais e ambientes submersos, não frequentando a beira da praia. O perigo está no contato acidental com seus espinhos venenosos, que pode ocorrer durante mergulhos ou atividades de pesca.
A espécie é nativa dos oceanos Indo-Pacífico e chegou à costa brasileira provavelmente por meio de correntes marinhas, após ter sido introduzida no Caribe.
A iniciativa paga R$ 10 por cada exemplar de peixe-leão entregue pelos pescadores na Colônia local, como parte do plano de controle da espécie.
A ação em Porto Seguro demonstra a eficácia da colaboração entre poder público, comunidade pesqueira e cientistas para conter a bioinvasão do peixe-leão. A prorrogação do incentivo financeiro reforça o compromisso em proteger a biodiversidade marinha e a economia local, enquanto as pesquisas na UFSB buscam soluções de longo prazo para o manejo da espécie.
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