Técnica conhecida como rochagem utiliza minerais moídos para melhorar a fertilidade do solo, com liberação gradual de nutrientes e custo inferior aos insumos químicos.
Olyvio Marques
Editor · Agro · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Em um cenário de alta dependência de fertilizantes importados, que chegam a representar mais de 80% do total utilizado no País, a técnica da rochagem, que consiste na aplicação de pó de rocha moído, ganha força como uma alternativa para reduzir custos e melhorar a saúde do solo a longo prazo.
A rochagem, ou remineralização, é a prática de incorporar rochas moídas em suas formas naturais diretamente no solo. Diferente dos fertilizantes químicos, que passam por processos industriais para concentrar e dissolver rapidamente os nutrientes, o pó de rocha atua de forma gradual. A liberação dos minerais depende de interações com a acidez da chuva, a matéria orgânica e a atividade de microrganismos presentes no solo.
Especialistas e produtores que adotam a prática apontam uma série de benefícios. A rochagem melhora a estrutura física e química do solo, aumentando sua capacidade de reter nutrientes (CTC) e neutralizando a acidez e o alumínio tóxico. Além disso, a liberação lenta de minerais acompanha o ciclo das plantas, garantindo uma nutrição mais equilibrada e duradoura. O alto teor de silício presente em algumas rochas, como o basalto, também forma uma barreira protetora nas folhas, tornando as plantas mais resistentes a pragas e doenças.
A dependência externa de insumos como nitrogênio, fósforo e potássio (NPK) é vista como um risco para a segurança alimentar e a economia brasileira. Em debate no Senado Federal, pesquisadores e parlamentares defenderam a rochagem como uma estratégia para proteger a soberania nacional. A grande diversidade geológica do Brasil, com rochas adequadas em todas as regiões, permite o aproveitamento de recursos locais, reduzindo custos de transporte e a vulnerabilidade a crises geopolíticas que possam afetar o mercado global de fertilizantes.
A aplicação pode ser feita de diversas formas, inclusive integrada a outras práticas sustentáveis. Uma das abordagens, destacada por pesquisadores da Embrapa, é o uso do pó de rocha como uma "cama mineral" em confinamentos de gado. O material reage com os dejetos dos animais, transformando o que seria um resíduo em um adubo orgânico de alto valor, que pode ser aplicado diretamente em pastagens e lavouras. O custo de aquisição do pó de rocha é consideravelmente menor que o dos insumos químicos, tornando a prática economicamente vantajosa, especialmente para produtores localizados a até 300 km de uma fonte de mineração.