Fase de ondas lentas é crucial para remover resíduos como beta-amiloide e tau; privação crônica está associada a maior risco de doenças neurodegenerativas.
Olyvio Marques
Editor · Saúde · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O sono profundo não serve apenas para descansar. Durante essa fase, o cérebro ativa um sofisticado sistema de "limpeza" para remover resíduos metabólicos acumulados ao longo do dia. A carência crônica desse sono reparador, segundo estudos, está diretamente ligada ao acúmulo de proteínas tóxicas, como a beta-amiloide e a tau, associadas a doenças neurodegenerativas.
Conhecido como sistema glinfático, esse mecanismo funciona como uma "faxina noturna" que se torna mais eficiente durante o sono profundo, ou sono de ondas lentas. Nesse período, o fluxo do líquido cefalorraquidiano aumenta, ajudando a "lavar" e remover subprodutos do metabolismo neuronal que se acumulam entre as células cerebrais.
As proteínas mais estudadas nesse processo são a beta-amiloide e a tau. O acúmulo de placas de beta-amiloide e emaranhados de tau no cérebro é uma característica marcante de doenças como o Alzheimer. Pesquisas indicam que noites de sono de qualidade favorecem a depuração dessas substâncias, enquanto a privação de sono dificulta essa remoção, podendo contribuir para sua retenção progressiva.
O problema nem sempre é a quantidade de horas na cama, mas a qualidade do descanso. Alguns sinais sugerem que a fase mais reparadora do sono pode estar comprometida:
Diversos hábitos e condições podem fragmentar o sono e reduzir o tempo em suas fases mais profundas. Entre os principais fatores estão o uso de telas e luz intensa perto da hora de dormir, o consumo de álcool e cafeína no fim do dia, horários irregulares para dormir e acordar, e condições como a apneia obstrutiva do sono.
Preservar essa fase do sono exige regularidade e um ambiente propício. Manter horários consistentes para deitar e levantar, garantir que o quarto seja escuro e silencioso, e praticar atividade física regularmente são medidas eficazes. Caso haja suspeita de distúrbios do sono, como ronco alto ou pausas respiratórias, a avaliação médica é fundamental.
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