Um novo estudo aponta que a hidrodissecção, um procedimento minimamente invasivo, pode oferecer alívio duradouro para a dor e formigamento. Entenda como funciona.
Olyvio Marques
Editor · Saúde · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma técnica minimamente invasiva chamada hidrodissecção pode oferecer alívio de longo prazo para pacientes com síndrome do túnel do carpo, aponta um estudo publicado por pesquisadores indianos na revista científica Radiology. Atualizado em 15 de outubro de 2026, o procedimento se mostrou mais eficaz que as injeções de corticoides tradicionalmente usadas, embora especialistas ressaltem a necessidade de mais pesquisas e a importância da mudança de hábitos no tratamento.
A hidrodissecção é um procedimento que consiste na injeção de uma solução, geralmente soro fisiológico, ao redor do nervo mediano no punho. Conforme relatado pelo Estadão e R7, a técnica é guiada por ultrassom para garantir precisão, e o líquido injetado ajuda a liberar o nervo do tecido circundante, aliviando a pressão que causa dor e formigamento. O procedimento dura entre 10 e 15 minutos e não exige internação ou anestesia, sendo considerado seguro e de baixo custo.
Para investigar a eficácia da técnica, os cientistas realizaram um ensaio clínico com 63 pacientes que não haviam respondido ao tratamento convencional. Os participantes foram divididos em três grupos: um recebeu hidrodissecção apenas com soro fisiológico, outro com soro e corticoide, e o terceiro apenas uma injeção de corticoide.
Os três grupos apresentaram melhora significativa na quarta semana. No entanto, o estudo divulgado pelo Estadão destaca que, após 12 e 24 semanas, os benefícios nos grupos de hidrodissecção se mantiveram e continuaram a crescer. Em contraste, os pacientes que receberam apenas a injeção de corticoide tiveram recorrência dos sintomas, sugerindo um alívio de curta duração. Além disso, o nervo mediano ficou até 45% menos inchado com a hidrodissecção, contra uma redução de cerca de 15% apenas com o corticoide.
A pesquisa indicou que a adição de corticoide à solução de hidrodissecção não trouxe benefício adicional significativo a longo prazo. Isso sugere que a técnica com soro fisiológico é uma alternativa eficaz que evita os riscos associados ao uso repetido de corticoides, como alterações na pele e enfraquecimento dos tendões, conforme mencionado no estudo.
Apesar dos resultados promissores, a médica ortopedista Raquel Bernardelli Iamaguchi, ouvida pelo Estadão, faz ressalvas. Ela aponta que o estudo não comparou adequadamente a gravidade dos casos entre os grupos e não foi "cego", o que pode introduzir viés nos resultados. Iamaguchi também destaca que a síndrome é um problema mecânico e que a mudança de hábitos, como corrigir posturas e tratar condições metabólicas, pesa mais do que o procedimento em si. Segundo ela, a hidrodissecção seria mais adequada para casos leves, que muitas vezes melhoram apenas com essas mudanças comportamentais.
Os sintomas mais comuns incluem formigamento nos dedos (principalmente à noite ou pela manhã), dor, inchaço e, em casos mais graves, perda de força para segurar objetos, de acordo com as fontes do Estadão e R7.
O tratamento inicial geralmente envolve abordagens conservadoras, como o uso de órteses, fisioterapia e a aplicação de injeções de corticosteroides para reduzir a inflamação. Em casos mais graves ou que não respondem a essas medidas, a cirurgia pode ser indicada, conforme aponta uma revisão publicada no Brazilian Journal of One Health.
A hidrodissecção guiada por ultrassom surge como uma opção segura e promissora para o tratamento da síndrome do túnel do carpo, oferecendo alívio sustentado com menos efeitos colaterais que os corticoides. No entanto, os achados precisam ser confirmados por estudos maiores. Especialistas reforçam que a abordagem mais eficaz continua sendo a combinação de tratamentos com a correção de hábitos e causas subjacentes da condição.
A tendência 'cara de ferritina' viralizou, mas médicos alertam: sinais como olheiras e palidez não diagnosticam a falta de ferro. Entenda os sintomas reais e a importância do exame de sangue.
Com o aumento das temperaturas e chuvas, a Sesa orienta sobre a maior circulação de escorpiões e aranhas. Saiba como prevenir acidentes e o que fazer em caso de picada.
Aos 115 anos, a pernambucana Beatriz Ferreira Duarte tem uma saúde impressionante, não usa remédios e correu até os 104. Saiba os segredos de sua longevidade.
Estudo da USP revela que fibras de pitanga e cambuci reduziram em até 90% a viabilidade de células de câncer colorretal em laboratório. Entenda os resultados preliminares e os próximos passos da pesquisa.