Três irmãs com mais de 100 anos entraram para o Guinness e são estudadas pela USP. Entenda o que a genética e os hábitos delas revelam sobre a longevidade.
Olyvio Marques
Editor · Saúde · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Três irmãs brasileiras, que juntas somam mais de 316 anos, chamam a atenção da ciência por sua longevidade excepcional. Reconhecidas pelo Guinness, Levita, Zoraide e Zulina de Deus Nunes participam de um estudo da USP que investiga os segredos genéticos e de estilo de vida por trás de um envelhecimento saudável. Atualizado em 22 de junho de 2026.
Levita de Deus Nunes (109 anos), Zoraide de Deus Mota (104) e Zulina de Deus Nunes (103) foram oficialmente reconhecidas pelo Guinness World Records como o trio de irmãs vivas mais longevo do mundo. Nascidas em Sergipe e hoje moradoras do Rio de Janeiro, elas vêm de uma família com um histórico notável de longevidade: a mãe também viveu até os 100 anos e uma tia, até os 101, segundo a CNN Brasil.
As irmãs construíram trajetórias distintas. Levita trabalhou como artesã e na Rede Globo, Zoraide foi professora e enfermeira, e Zulina se dedicou à família e ao bordado. A combinação de idade avançada, parentesco próximo e histórico familiar despertou o interesse de pesquisadores.
O caso raro levou as irmãs a integrarem o Projeto DNA Longevo, do Centro de Estudos do Genoma Humano da USP, coordenado pela geneticista Mayana Zatz. O objetivo é identificar "genes protetores" que possam conferir maior resiliência contra os efeitos do envelhecimento, conforme relatado pelo Olhar Digital.
A pesquisa compara o material genético de centenários saudáveis com o de pessoas que desenvolveram doenças crônicas ou declínio cognitivo. "Quanto mais a pessoa vai envelhecendo, maior vai sendo o peso da genética", afirmou Zatz à Forbes. Famílias com múltiplos centenários, como a das irmãs, são consideradas extremamente informativas para o estudo.
Apesar do forte componente genético, o estilo de vida das irmãs também é um fator de análise. Elas relatam uma vida simples, marcada por hábitos que hoje são raros. Zulina contou que, na infância, a alimentação era baseada em produtos frescos, pois não havia geladeira, e que passava muito tempo ao ar livre, nadando e pescando.
Ben Meyers, presidente-executivo da LongeviQuest, destacou em reportagem do Olhar Digital que, além da genética, o aspecto comunitário e a rede de apoio são fundamentais.
Atualmente, as idades são: Levita de Deus Nunes com 109 anos, Zoraide de Deus Mota com 104 anos e Zulina de Deus Nunes com 103 anos. Juntas, elas somam mais de 316 anos.
A ciência aponta para uma combinação de fatores. Há um forte componente genético, evidenciado pela longevidade da mãe e da tia. Além disso, hábitos de vida como alimentação natural, vida ativa e fortes laços familiares são considerados importantes para um envelhecimento saudável.
As três irmãs vivem no Rio de Janeiro. Elas nasceram no estado de Sergipe, mas se estabeleceram no Rio de Janeiro ao longo da vida.
A história de Levita, Zoraide e Zulina oferece uma oportunidade única para a ciência desvendar os complexos mecanismos da longevidade. A pesquisa da USP, que combina a análise genética com o estudo do estilo de vida, pode revelar como a herança biológica e os hábitos se unem para promover um envelhecimento com mais saúde e qualidade de vida, trazendo lições valiosas para toda a sociedade.
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