Apelidado de "Mounjaro para cães", novo suplemento para controle de peso canino chega em setembro. Entenda como funciona, sua composição e o que veterinários alertam.
Olyvio Marques
Editor · Pets · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Um suplemento para controle de peso canino, apelidado nas redes sociais de "Mounjaro para cães", chega ao mercado brasileiro em setembro com uma lista de espera de mais de 40 mil tutores. No entanto, é fundamental esclarecer: o produto não é um medicamento e não contém Tirzepatida, o princípio ativo do Mounjaro usado em humanos. Trata-se de um petisco funcional que visa auxiliar na saciedade. Atualizado em 15 de agosto de 2026.
O produto, desenvolvido pela empresa Wigow, é um suplemento alimentar em formato de tablete mastigável que imita um petisco. De acordo com a fabricante, a fórmula foi aprovada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e não exige prescrição veterinária. O custo mensal no plano de assinatura será de R$ 123,45.
Diferente do Mounjaro humano, que age em receptores hormonais (GLP-1 e GIP) para controlar o apetite e a glicemia, o suplemento canino aposta em uma combinação de ingredientes para promover a sensação de saciedade. Sua composição inclui:
A recomendação de uso é de um tablete de 12 gramas por dia para cães de até 10 quilos, segundo informações divulgadas pela GZH. A própria empresa reforça que o produto não é um medicamento e deve atuar em conjunto com uma dieta equilibrada e exercícios.
Veterinários e especialistas em nutrição animal são unânimes em afirmar que o suplemento pode ser um coadjuvante, mas não é a solução principal para a obesidade canina, que já afeta cerca de 40% dos cães no Brasil. O ponto central para a perda de peso, segundo eles, é o balanço energético negativo: ingerir menos calorias do que se gasta.
Álan Gomes Pöppl, endocrinologista veterinário e diretor científico da Associação Brasileira de Endocrinologia Veterinária (ABEV), explicou ao GZH que, sem um balanço energético negativo, não existe perda de peso. Ele ressalta que a quantidade de alimento, calculada adequadamente por um profissional, é suficiente na maioria dos casos. A médica-veterinária Raquel Valim Labres complementa, afirmando que a L-carnitina sozinha não resolve o problema e que um protocolo completo com acompanhamento profissional é essencial.
O maior risco, segundo os especialistas, é o tutor iniciar um programa de emagrecimento sem antes investigar a causa do excesso de peso. A obesidade pode estar ligada a doenças metabólicas como diabetes ou alterações hormonais como o hipotireoidismo. "O grande risco de o tutor fazer a coisa por conta própria é não identificar doenças prévias que contribuam para a obesidade", alerta Pöppl.
Especialistas fazem um alerta enfático: o Mounjaro (Tirzepatida) desenvolvido para humanos nunca deve ser administrado em cães e gatos. O médico-veterinário Francis Flosi, em artigo para a Revista Qualittas, destaca que cães e gatos possuem fisiologia e metabolismo próprios, e um medicamento seguro para pessoas pode ser tóxico ou ineficaz para eles. O uso de medicamentos "off-label" (fora da bula) em animais, como as canetas emagrecedoras, é considerado perigoso pela falta de estudos de segurança e eficácia.
Não. É um suplemento alimentar em formato de petisco, aprovado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Ele não contém Tirzepatida ou qualquer outro fármaco presente nos medicamentos para emagrecimento humano.
Não. Por ser classificado como um suplemento, sua venda não exige prescrição veterinária, conforme divulgado pela fabricante.
Não. Especialistas e a própria empresa afirmam que o produto deve ser um complemento a uma dieta com restrição calórica e a uma rotina de atividades físicas, sempre com o acompanhamento de um médico-veterinário.
O "Mounjaro para cães" é, na verdade, um suplemento que pode auxiliar na sensação de saciedade, mas não promove o emagrecimento por si só. A base para o tratamento da obesidade canina continua sendo a orientação profissional para uma dieta adequada e a prática de exercícios. A consulta com um médico-veterinário é indispensável para diagnosticar as causas do excesso de peso e criar um plano de emagrecimento seguro e eficaz.
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