Julinho, um cão resgatado em São Vicente (SP) com depressão e cego pela catarata, recuperou a visão e a alegria após cirurgia. Conheça sua história.
Olyvio Marques
Editor · Pets · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A história de Julinho, um cachorro resgatado de um terreno baldio em São Vicente, no litoral de São Paulo, é uma prova de superação. Cego por conta de uma catarata e com um quadro de depressão severa, ele recuperou a visão e a alegria de viver após uma cirurgia bem-sucedida e meses de tratamento. Atualizado em 22 de agosto de 2026.
Julinho foi encontrado por uma pessoa que alertou o Instituto Eliseu sobre sua situação. Segundo Leila Abreu, presidente da entidade, o animal apresentava um quadro depressivo conhecido como "perda de controle da própria vida". "O cachorro encosta a cabeça na parede, ele não reage a mais nada. [...] O cachorro fica esperando a morte e o Julinho estava assim", explicou Leila em entrevista à TV Tribuna, afiliada da Globo.
A equipe de resgate se mobilizou rapidamente e encaminhou Julinho para exames veterinários. Na consulta oftalmológica, foi diagnosticada a catarata, mas a condição era considerada reversível.
O processo de reabilitação de Julinho durou cerca de quatro meses. O tratamento incluiu a cirurgia de catarata, um procedimento que, segundo especialistas, tem uma taxa de sucesso de 90% a 95% dos casos. Após a operação, ele precisou ficar internado por 21 dias no Hospital Viva Bicho para monitorar os riscos de complicações pós-cirúrgicas, conforme relatado pelo G1.
A cirurgia de catarata, tecnicamente chamada de facoemulsificação, é a única solução para a doença e permite a correção do problema com a implantação de lentes intraoculares, de acordo com o Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo (CRMV-SP).
Após receber alta, a reação de Julinho ao enxergar seus cuidadores pela primeira vez foi emocionante. Ele passou a associar as vozes que ouvia às imagens das pessoas. "Quando a gente falava com ele, ele olhava assustado para a gente tipo: 'É você que me chamava?' [...] Ele descobriu o mundo, ele olhava muito fixamente para as coisas", contou Leila Abreu.
Hoje, Julinho é descrito como um cachorro saudável, brincalhão, agitado, mas ao mesmo tempo dócil e carinhoso. Sua transformação emocionou toda a equipe do instituto. "Para a gente foi lindo ver essa mudança de vida do Julinho", concluiu a presidente da entidade.
A causa mais comum da catarata em cães é a hereditariedade. No entanto, o problema também pode ser causado por inflamações, traumas, doenças da retina e diabetes, segundo informações do CRMV-SP.
O sinal mais evidente é a perda progressiva da nitidez da visão, fazendo com que o animal comece a esbarrar em móveis. Outros sinais incluem olhos avermelhados, lacrimejamento excessivo e aversão à luz, que podem indicar uma inflamação intraocular causada pela catarata.
A recuperação completa leva cerca de 30 dias. Durante esse período, é necessário administrar colírios específicos e usar um colar elisabetano nos primeiros 15 dias para proteger a área da cirurgia e evitar que o animal se machuque, conforme orienta o CRMV-SP.
A jornada de Julinho, do abandono e da escuridão a uma vida nova e cheia de cores, destaca a importância do trabalho de ONGs de resgate animal e dos avanços da medicina veterinária. Sua história inspira e reforça que, com cuidado e tratamento adequado, é possível transformar completamente a vida de um animal.
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