Pesquisadores confirmam a existência do "veado preto", um cervo-do-pantanal com pelagem escura, antes considerado lenda. Saiba onde foram encontrados.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A lenda do "veado preto", um misterioso cervo de pelagem escura que habitava o imaginário popular do Pantanal, foi oficialmente confirmada pela ciência. Atualizado em 25 de agosto de 2026, um estudo documentou pela primeira vez a existência de indivíduos melânicos do cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus), transformando décadas de relatos de pescadores e moradores em evidência científica.
Pesquisadores da Associação Onçafari e da Embrapa Pantanal registraram, por meio de drones e armadilhas fotográficas, exemplares do maior cervídeo do Brasil com uma coloração quase preta, resultado de uma condição genética chamada melanismo. A descoberta, publicada na revista científica Notas sobre Mamíferos Sudamericanos, valida histórias locais que mencionavam o animal, incluindo um local chamado "Baía do Cervo Preto" em Mato Grosso, segundo o estudo.
Os animais foram identificados em dois biomas distintos, apresentando cenários completamente diferentes para os pesquisadores.
Uma única fêmea com pelagem preta foi avistada na reserva Caiman Pantanal, em Mato Grosso do Sul. Este é o primeiro caso de melanismo documentado em quase 40 anos de estudos na região, que concentra cerca de 88% da população da espécie no Brasil, estimada em mais de 40 mil indivíduos. A raridade do evento no bioma intriga os cientistas.
No Parque Nacional Grande Sertão Veredas, entre Minas Gerais e Bahia, a situação foi oposta. Pelo menos dois machos melânicos foram identificados, e os cervos escuros representaram 66,7% de todas as observações da espécie na área entre fevereiro de 2025 e janeiro de 2026. Neste bioma, o cervo-do-pantanal é considerado criticamente ameaçado de extinção.
O melanismo é causado por uma produção excessiva de melanina, que escurece os pelos. Essa característica, no entanto, pode representar desvantagens, como maior absorção de calor e menor capacidade de camuflagem contra predadores como a onça-pintada. Os cientistas trabalham com duas hipóteses principais para a ocorrência:
Curiosamente, os animais registrados aparentavam estar saudáveis e foram vistos em campo aberto sob sol forte, desafiando a ideia de que a cor escura seria um obstáculo imediato à sobrevivência.
Não. O "veado preto" é um cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus) com uma condição genética rara chamada melanismo, que altera a cor de sua pelagem para tons muito escuros, quase pretos.
A pelagem escura absorve mais calor, o que é um desafio em biomas quentes como o Pantanal e o Cerrado. Além disso, dificulta a camuflagem na vegetação avermelhada típica, tornando o animal um alvo potencialmente mais fácil para predadores.
Foram documentados oficialmente três indivíduos: uma fêmea no Pantanal e dois machos no Cerrado. Segundo pesquisadores, um terceiro macho jovem também foi observado no Cerrado após a conclusão do estudo inicial.
A confirmação científica do "veado preto" não apenas valida o conhecimento popular, mas também abre novas frentes de pesquisa sobre genética, adaptação e dinâmica populacional em espécies brasileiras. A descoberta reforça a importância da conservação do Pantanal e, especialmente, do Cerrado, onde a sobrevivência do cervo-do-pantanal enfrenta ameaças críticas.
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