Considerado extinto na Floresta da Tijuca desde 1968, o tucano recupera seu papel ecológico. Estudo da UFRJ revela o sucesso da soltura de 47 aves há mais de 50 anos.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O tucano-de-bico-preto (Ramphastos ariel), considerado desaparecido da Floresta da Tijuca desde 1968, está de volta e cumprindo seu papel ecológico. Um estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) confirmou o sucesso da reintrodução de 47 aves, realizada há mais de 50 anos, na recuperação de interações vitais para a Mata Atlântica. Atualizado em 22 de junho de 2026.
A ausência do tucano-de-bico-preto na Floresta da Tijuca foi oficializada em 1968, como consequência do desmatamento histórico para o cultivo de café, da fragmentação da mata e da caça para o comércio de penas, utilizadas em artesanatos como o manto imperial exposto no museu de Petrópolis, segundo pesquisadores da UFRJ. A própria floresta é fruto de um dos primeiros grandes projetos de reflorestamento do mundo, iniciado em 1861 por ordem de D. Pedro II.
Entre 1970 e 1971, em uma iniciativa pioneira de recuperação da fauna local, o primatólogo Adelmar Coimbra Filho coordenou a soltura de 47 tucanos em diferentes pontos da Estrada da Vista Chinesa. Com o tempo, a presença da ave se tornou comum no parque e em bairros vizinhos, mas seu impacto ecológico permanecia incerto até agora.
Mais de meio século depois, uma pesquisa publicada na revista científica Oikos quantificou o sucesso do projeto. O estudo, liderado pela bióloga Flávia Zagury, do Instituto de Biologia da UFRJ, revelou que a população de tucanos recuperou 76% das interações de frugivoria (consumo de frutos) que eram esperadas para a espécie na região.
Os resultados são ainda mais expressivos para plantas que dependem de grandes animais para espalhar suas sementes:
“A espécie se alimenta sem auxílio humano, sabemos que também se reproduz bem sem ajuda do ser humano e nossos resultados evidenciam a recuperação de suas interações, portanto, a reintrodução após 53 anos foi um sucesso”, afirmou Zagury em material divulgado pela UFRJ.
O retorno do tucano combate a chamada "síndrome da floresta vazia", um fenômeno em que a mata aparenta estar saudável, mas sofre com a ausência de sua fauna. Animais de grande porte, como o tucano, são os primeiros a desaparecer, deixando muitas espécies de árvores sem seus principais dispersores de sementes.
Por seu tamanho, bico largo e capacidade de voar longas distâncias, o tucano-de-bico-preto consegue consumir e transportar sementes grandes para novas áreas, um serviço ecológico que aves menores não conseguem realizar. Essa função é crucial para manter a diversidade genética das plantas e a saúde da floresta como um todo.
O tucano foi considerado desaparecido em 1968 devido ao desmatamento, à fragmentação da floresta e à caça para o uso de suas penas em artesanato, conforme apontam estudos da UFRJ.
A reintrodução ocorreu entre 1970 e 1971, quando 47 aves foram soltas na região da Estrada da Vista Chinesa, em um projeto coordenado pelo primatólogo Adelmar Coimbra Filho.
O estudo comprovou que a população de tucanos recuperou 76% das interações ecológicas esperadas, com destaque para a dispersão de sementes médias (88% de recuperação) e grandes (89%), confirmando o sucesso do projeto de reintrodução a longo prazo.
A reintrodução bem-sucedida do tucano-de-bico-preto na Floresta da Tijuca, validada cientificamente após mais de 50 anos, demonstra o potencial de projetos de refaunação para restaurar funções ecológicas perdidas. O retorno do "semeador" é uma vitória para a conservação da Mata Atlântica e um modelo para futuras iniciativas de recuperação de ecossistemas.
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