Um filhote encontrado por acaso na Bolívia em 2016 foi a chave para uma descoberta histórica. Entenda como cientistas brasileiros identificaram o 'tigrinho boliviano'.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A descoberta de uma nova espécie de felino, o Leopardus tilcayo, popularmente chamado de 'tigrinho boliviano', representa um marco histórico: é a primeira espécie de felino não fóssil descrita pela ciência em mais de um século. A identificação, liderada pelo pesquisador brasileiro Eduardo Eizirik, da PUCRS, só foi possível graças a um filhote encontrado por um morador na Bolívia em 2016. Atualizado em 22 de junho de 2026.
A jornada para a descoberta começou de forma inesperada em 2016, na região de Nor Yungas, na Bolívia. Conforme relatado por múltiplos veículos, um morador local encontrou um filhote de felino selvagem e o levou para o refúgio de animais La Senda Verde. Inicialmente, acreditava-se que o animal, apelidado de 'Tigrino', pertencia à espécie já conhecida Leopardus tigrinus.
No entanto, análises genéticas conduzidas pela equipe de Eizirik revelaram que o filhote pertencia a uma linhagem evolutivamente distinta e até então desconhecida pela ciência. Esse achado acidental foi o catalisador para o estudo que formalizou a nova espécie, publicado na prestigiada revista científica Current Biology.
O tigrinho boliviano é o que os cientistas chamam de "espécie críptica", o que significa que sua aparência é extremamente semelhante à de outras espécies de gatos-do-mato, dificultando a identificação visual. Essa semelhança é a principal razão pela qual ele permaneceu anônimo por tanto tempo.
De acordo com as informações divulgadas, o Leopardus tilcayo é um animal pequeno, com cerca de 45 cm de comprimento e pesando aproximadamente 1,4 kg. O nome científico "tilcayo" é uma homenagem às comunidades locais, que já utilizavam essa denominação para o felino.
A pesquisa foi liderada por Eduardo Eizirik, professor e pesquisador da Escola de Ciências da Saúde e da Vida da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Sua equipe foi responsável por conduzir as análises genômicas que comprovaram que o tigrinho boliviano seguiu um caminho evolutivo independente por centenas de milhares de anos.
"Este é um estudo que evidencia o quanto ainda há para se descobrir sobre a biodiversidade do planeta. Mesmo entre animais carismáticos e conhecidos como os felinos, espécies podem permanecer desconhecidas durante séculos", afirmou Eizirik em entrevistas.
É uma nova espécie de felino selvagem (Leopardus tilcayo) que vive nas florestas montanhosas da Bolívia. Sua descoberta, oficializada em 2026, é a primeira de um felino não fóssil em mais de 100 anos.
A descoberta começou com um filhote resgatado em 2016. Análises genéticas, lideradas pelo pesquisador brasileiro Eduardo Eizirik, revelaram que o animal pertencia a uma linhagem até então desconhecida pela ciência, apesar de sua semelhança com outras espécies.
Identificar o Leopardus tilcayo como uma espécie distinta é vital para criar estratégias de conservação específicas. Isso permite proteger o animal de ameaças como perda de habitat, caça e doenças transmitidas por animais domésticos, garantindo a sobrevivência de sua linhagem única.
A história do tigrinho boliviano demonstra como um encontro casual pode levar a uma revolução científica. A descoberta do Leopardus tilcayo não apenas adiciona um novo membro à família dos felinos, mas também reforça a importância da pesquisa genética para entender e proteger a biodiversidade do planeta, que ainda guarda muitos segredos.
Um furão-da-Amazônia criado como animal de estimação foi resgatado após se tornar agressivo. Saiba qual o destino do animal e por que a prática é crime.
O Audubon Photography Awards 2026 premiou imagens incríveis, como um colhereiro na Flórida e um corujão no Chile. Veja os vencedores e as fotos que destacam a beleza e os desafios das aves.
Conheça a história de Richart Sowa, que construiu a Joyxee Island no México com garrafas recicladas, criando uma casa autossuficiente com jardins e mangues.
Conheça a história da Mymba Kuéra, a monumental operação que salvou quase 39 mil animais durante a construção da usina de Itaipu em 1982. Veja como foi.