Um dos peixes mais populares do Brasil, o tambaqui entrou na lista de espécies ameaçadas por sobrepesca. Entenda o prazo para uma possível proibição da venda.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O tambaqui (Colossoma macropomum), um dos peixes mais consumidos na culinária amazônica e popular em todo o Brasil, entrou oficialmente para a lista nacional de espécies da fauna aquática ameaçadas de extinção. A medida, divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), acende um alerta e pode levar à proibição total da pesca e comercialização da espécie no país. Atualizado em 22 de junho de 2026.
A inclusão do tambaqui na lista de espécies ameaçadas foi baseada em uma avaliação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que projetou uma queda populacional de 43,4% ao longo de três gerações. De acordo com os estudos, a principal causa é a forte pressão da pesca em seu habitat natural, as várzeas do rio Amazonas e seus afluentes. Com base nesse declínio, a espécie foi classificada como "vulnerável".
Não, a proibição não é imediata. Uma portaria do MMA estabeleceu um prazo de 180 dias, que termina em 25 de outubro, para a aprovação de um plano de recuperação populacional da espécie. Caso este plano não seja aprovado a tempo, a pesca do tambaqui poderá ser proibida em todo o território nacional. O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) já apresentou um rascunho do plano em 12 de junho, que está sendo discutido com pescadores, gestores e pesquisadores.
A decisão gerou controvérsia entre comunidades ribeirinhas e especialistas. Pescadores artesanais temem o impacto econômico, argumentando que a proibição afetaria desigualmente quem depende da pesca de subsistência, enquanto a piscicultura (criação em cativeiro) poderia continuar. Pesquisadores, como Igor Hister Lourenço do Instituto Mamirauá, apontam que a situação do tambaqui varia muito ao longo da bacia amazônica e criticam a falta de consulta prévia às comunidades. O próprio ICMBio reconhece que os dados usados na avaliação não cobrem áreas de conservação e terras indígenas, que representam 39% da ocorrência da espécie e onde o risco de extinção seria baixo.
Não. A comercialização continua permitida, mas a situação pode mudar. A pesca e a venda podem ser proibidas em todo o país a partir de 25 de outubro de 2026 se um plano de recuperação para a espécie não for aprovado pelo governo.
A principal causa é a sobrepesca, ou seja, a captura em um ritmo maior do que a capacidade de recuperação natural da espécie. A intensa atividade pesqueira nas últimas décadas levou a uma projeção de queda de 43,4% na população de tambaquis selvagens.
É um documento oficial do Ministério do Meio Ambiente que identifica as espécies da fauna e flora com risco de desaparecer. Segundo o diretor do MMA, Bráulio Dias, a lista é a principal ferramenta para a criação de políticas públicas de conservação, como planos de manejo e restrições à captura.
A inclusão do tambaqui na lista de espécies ameaçadas é um passo crucial para a conservação de um dos símbolos da Amazônia. O futuro da pesca e do consumo do peixe depende agora da elaboração e aprovação de um plano de recuperação eficaz, que consiga equilibrar a proteção da biodiversidade com as necessidades das comunidades que dependem do recurso para sua subsistência.
Homem de 34 anos foi flagrado com quatro peixes da espécie pintado abaixo do tamanho mínimo permitido no Rio Aguapeí. Saiba mais sobre a legislação e as multas.
A história da baleia Sunset, resgatada após encalhar e que retornou anos depois com um filhote, inspira a conservação da espécie. Saiba mais sobre os desafios que as baleias-francas ainda enfrentam no litoral brasileiro.
Anestesista Ricardo Lima já catalogou mais de 200 espécies de aves em seu bairro e agora monitora um felino ameaçado. Veja como sua paixão inspira a conservação.
O Parque Estadual Carlos Botelho é um santuário para mais de 380 espécies de aves, incluindo a jacutinga. Descubra a importância deste refúgio na Mata Atlântica.