Considerado extinto no Rio Grande do Sul, o mamífero foi registrado no Parque Estadual do Espinilho, um marco para a conservação na América Latina.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) foi registrado no Pampa gaúcho pela primeira vez em 130 anos, um evento histórico para a fauna sul-americana. Considerada extinta regionalmente, a espécie foi avistada por câmeras no Parque Estadual do Espinilho, no Rio Grande do Sul. O retorno é um resultado direto de um bem-sucedido projeto de reintrodução na Argentina, que mostra como a recuperação de ecossistemas pode ultrapassar fronteiras. Atualizado em 6 de setembro de 2026.
Desde agosto de 2023, câmeras de monitoramento no Parque Estadual do Espinilho, em Barra do Quaraí (RS), registraram a presença de um tamanduá-bandeira em pelo menos 11 ocasiões. Conforme relatos de pesquisadores, o último avistamento confirmado da espécie com vida na região datava de 1890. O reaparecimento é a prova de que o animal está reconquistando territórios onde havia desaparecido há mais de um século.
A principal hipótese, segundo especialistas como a veterinária Flávia Miranda, é que o animal tenha vindo da província de Corrientes, na Argentina. Desde 2007, a organização Rewilding Argentina conduz um projeto pioneiro de reintrodução da espécie nos Esteros del Iberá, uma vasta área úmida onde o tamanduá havia sido extinto. O programa começou com a soltura de um único casal e, até hoje, já reintroduziu mais de 110 indivíduos, muitos deles filhotes órfãos resgatados.
O sucesso do projeto é evidenciado pela formação de uma população autossustentável de aproximadamente 200 tamanduás, incluindo várias gerações nascidas em liberdade. Esses animais começaram a se dispersar naturalmente, com registros de indivíduos a até 200 quilômetros dos pontos de soltura, o que viabilizou a travessia da fronteira para o Brasil.
O tamanduá-bandeira desempenha um papel ecológico fundamental. Ao consumir até 30 mil formigas e cupins por dia, ele ajuda a controlar populações de insetos e a arejar o solo com suas escavações. Sua presença é considerada um "selo de qualidade ambiental", indicando que o ecossistema oferece alimento, abrigo e conectividade entre áreas preservadas.
O retorno ao Pampa demonstra a eficácia de projetos de reintrodução e a importância de corredores ecológicos que permitem o deslocamento da fauna entre unidades de conservação, mesmo em países diferentes.
O animal que retornou ao Pampa, no Rio Grande do Sul, após 130 anos de ausência confirmada é o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), o maior de sua espécie.
O registro ocorreu no Parque Estadual do Espinilho, localizado em Barra do Quaraí, no extremo oeste do Rio Grande do Sul, próximo à fronteira com a Argentina.
Não. O tamanduá-bandeira continua classificado como "vulnerável" pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). O reaparecimento no Pampa é uma recuperação regional importante, mas não elimina as ameaças que a espécie enfrenta em toda a América Latina, como perda de habitat, atropelamentos, incêndios, caça e ataques de cães.
O reaparecimento do tamanduá-bandeira no Rio Grande do Sul é uma vitória para a conservação e um exemplo inspirador de como ações de longo prazo podem reverter extinções locais. No entanto, o sucesso dessa recuperação ainda é frágil e depende da proteção contínua dos habitats e da criação de corredores seguros para que a espécie possa se estabelecer de forma duradoura.
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