Pesquisadores do ICAS usam colares GPS para proteger o tamanduá-bandeira de ameaças como rodovias e desmatamento. Entenda como a tecnologia ajuda na conservação.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O monitoramento de tamanduás-bandeira jovens é uma peça-chave para a conservação da espécie no Brasil, especialmente em biomas ameaçados como o Cerrado e o Pantanal. Atualizado em 2 de agosto de 2026, este trabalho, conduzido por instituições como o ICAS (Instituto de Conservação de Animais Silvestres), utiliza tecnologia de ponta para acompanhar os animais e entender como eles sobrevivem em paisagens cada vez mais fragmentadas por rodovias e desmatamento.
O tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) está classificado como vulnerável à extinção pela União Internacional de Conservação da Natureza (IUCN), com sua população em declínio. As principais ameaças são a perda de habitat e as colisões em rodovias. Um estudo do projeto Bandeiras e Rodovias, do ICAS, registrou a morte de 766 tamanduás-bandeira em apenas 14% das estradas pavimentadas do Mato Grosso do Sul entre 2017 e 2020.
O acompanhamento dos animais, especialmente os jovens que se separam de suas mães, ajuda os pesquisadores a identificar rotas de dispersão, áreas de risco e a eficácia de medidas de mitigação, como passagens de fauna. Essas informações são vitais para a criação de políticas públicas e corredores ecológicos que garantam a sobrevivência da espécie.
Para monitorar os tamanduás, os pesquisadores utilizam coletes especiais equipados com GPS e rádio transmissor (VHF). O equipamento, que se assemelha a uma pequena mochila de cerca de 200 gramas, é desenvolvido para não interferir na rotina do animal. Segundo o ICAS, um estudo comparativo mostrou que os coletes são seguros e não geram comportamentos atípicos nos tamanduás.
Essa tecnologia permite mapear o território utilizado por cada indivíduo, entender como eles atravessam estradas e planejar ações de conservação mais eficazes.
Não. Um estudo da pesquisadora Alessandra Bertassoni, citado pelo ICAS, comparou o comportamento de tamanduás com e sem o colete de monitoramento e concluiu que os equipamentos são seguros e adequados quando instalados por uma equipe capacitada, não causando ferimentos ou alterações comportamentais significativas.
Desde 2017, o ICAS e seus parceiros já monitoraram mais de 100 tamanduás-bandeira no Cerrado brasileiro, gerando dados cruciais sobre o deslocamento e comportamento da espécie.
As maiores ameaças são a perda e fragmentação de habitat, causadas pelo desmatamento para a agricultura, e as colisões com veículos em rodovias, que representam uma das principais causas de mortalidade da fauna silvestre no Brasil.
O trabalho de monitoramento de tamanduás-bandeira realizado pelo ICAS é fundamental para a sobrevivência de uma das espécies mais icônicas da fauna brasileira. Ao transformar cada animal em um "detetive ecológico", a ciência coleta dados que orientam desde a criação de passagens seguras em rodovias até o planejamento de corredores ecológicos, garantindo que os tamanduás possam continuar a desempenhar seu papel no ecossistema.
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