O som de grilos, rãs e esperanças tomou conta do Rio de Janeiro. Biólogos explicam por que o tempo chuvoso favoreceu esses animais e quais os benefícios para a cidade.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O som de grilos, esperanças e rãs, típico de áreas rurais, tornou-se a trilha sonora de diversos bairros do Rio de Janeiro em 2026. Atualizado em 25 de outubro de 2026. Segundo biólogos, o fenômeno é resultado direto do ano excepcionalmente chuvoso, que criou um ambiente ideal para a proliferação de espécies inofensivas e benéficas para o ecossistema urbano.
O principal motivo para a "orquestra" de sons da natureza em áreas urbanas como Centro, Tijuca, Copacabana e Méier é o clima. De acordo com especialistas, o ano de 2026 registrou um volume de chuvas muito acima do esperado, inclusive nos meses tradicionalmente mais secos. Em setembro, por exemplo, o acumulado de chuva ultrapassou 163,2 mm, quase três vezes a média histórica para o período, conforme noticiado pelo jornal O Globo.
Essa umidade elevada, combinada com as temperaturas quentes, cria o cenário perfeito para a reprodução desses animais. "A umidade elevada proporciona mais lugares para fêmeas colocarem ovos, há mais alimento, como larvas de outros insetos. O resultado é uma orquestra de grilos, esperanças e sapinhos", explicou Pedro Souza Dias, coordenador do Laboratório de Polyneoptera do Museu Nacional/UFRJ, em entrevista.
Apesar de surpreendente, a presença desses animais é positiva. Biólogos afirmam que eles são aliados no controle de pragas urbanas. Os insetos cantores, como grilos e esperanças, alimentam-se de larvas de mosquitos e moscas. Já as rãs e os sapos incluem baratas em seu cardápio, conforme detalhado por especialistas.
Elidiomar Ribeiro da Silva, professor de zoologia da Unirio, ressalta que essa fauna é "praticamente invisível, que não faz mal a ninguém". O herpetologista Sergio Potsch complementa, afirmando que rãs, sapos e pererecas não transmitem doenças e não atacam, sendo considerados "ótimos vizinhos".
Embora seus sons se misturem à noite, os animais responsáveis pela nova trilha sonora do Rio têm características distintas, como descrito em reportagens sobre o tema:
A presença de alguns insetos é normal e benéfica. Segundo especialistas em controle de pragas, uma infestação só ocorre quando há presença contínua por mais de uma semana, mais de cinco indivíduos no mesmo ambiente e evidências de danos a materiais como tecidos e papéis. Na situação atual do Rio, trata-se de um fenômeno natural e sazonal, não de uma praga.
Não. Conforme afirmado por biólogos e herpetologistas que estudam a fauna carioca, as espécies de grilos, esperanças e rãs que se proliferaram são inofensivas. Elas não atacam, não são venenosas e não transmitem doenças, representando um risco nulo para pessoas e animais de estimação.
O volume de chuvas atípico em 2026 está inserido em um contexto mais amplo de eventos climáticos extremos. Instituições como o CEMADEN monitoram constantemente os riscos hidrológicos e geológicos no estado, que enfrenta desafios recorrentes com enchentes e deslizamentos, expondo a urgência de medidas de adaptação climática nas cidades.
A proliferação de grilos, esperanças e rãs no Rio de Janeiro é um reflexo direto das condições climáticas atípicas de 2026. Longe de ser um problema, o fenômeno é celebrado por biólogos como um sinal de biodiversidade e um auxílio natural no controle de pragas. Para os cariocas, resta aproveitar essa trilha sonora que conecta a metrópole à sua natureza pulsante.
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