Novo relatório da TNC revela que a Amazônia abriga 15% das espécies de peixes de água doce do mundo. Entenda a importância e as ameaças a essa biodiversidade.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A Bacia Amazônica abriga mais de 2,7 mil espécies de peixes de água doce, o que representa cerca de 15% de toda a diversidade global conhecida, segundo um novo estudo. Atualizado em 8 de setembro de 2026, o relatório "Peixes Esquecidos da Amazônia" destaca a urgência de proteger um ecossistema que ainda funciona em plenitude, mas enfrenta crescentes ameaças.
A quarta edição do relatório, liderado pela The Nature Conservancy (TNC) e com a colaboração de mais de 50 especialistas de 30 organizações, confirma a Amazônia como um dos principais reservatórios de biodiversidade aquática do planeta. Conforme aponta a Agência Brasil, aproximadamente dois terços dessas 2,7 mil espécies são encontradas exclusivamente na região.
Segundo Fernanda Silva, cientista da TNC e autora principal do estudo, a Amazônia oferece uma oportunidade única de conservação preventiva. "Proteger um sistema de água doce de importância global enquanto ele ainda está em pleno funcionamento" é a abordagem defendida, em contraste com esforços de restauração em ecossistemas já degradados.
Os peixes amazônicos são mais do que apenas fauna; eles são engenheiros do ecossistema e pilares da segurança alimentar e econômica local. O estudo detalha como essa interdependência funciona.
Espécies como tambaquis, pacus e matrinxãs se alimentam de frutos em áreas de floresta alagada, dispersando sementes por grandes distâncias e ajudando a manter a vegetação. Outras espécies transportam nutrientes entre os ambientes aquático e terrestre, sustentando uma cadeia que inclui botos, ariranhas e aves, como informado pelo portal A Crítica.
Para as populações locais, o peixe é fundamental. Em algumas comunidades ribeirinhas, o consumo pode ultrapassar 600 gramas por pessoa ao dia, sendo a fonte de proteína mais acessível. A pesca, seja comercial, ornamental ou de subsistência, movimenta a economia e sustenta milhares de famílias, embora grande parte da atividade não apareça nas estatísticas oficiais.
Apesar da riqueza, a fauna aquática amazônica está sob forte pressão. O relatório da TNC aponta que 144 espécies já estão na Lista Vermelha de espécies ameaçadas da IUCN, enquanto outras 334 são classificadas como "Dados Insuficientes", indicando que o risco real pode ser ainda maior.
A Bacia Amazônica abriga mais de 2,7 mil espécies de peixes de água doce, o que corresponde a 15% de todas as espécies conhecidas no mundo. Cerca de dois terços delas são exclusivas da região.
As principais ameaças são a construção de hidrelétricas, o desmatamento, a poluição por mercúrio do garimpo, a pesca excessiva e os impactos das mudanças climáticas, que atuam de forma combinada.
Eles desempenham papéis cruciais como a dispersão de sementes, o transporte de nutrientes entre rios e floresta, e sustentam a cadeia alimentar de outros animais. Além disso, são a base da segurança alimentar e da economia de comunidades locais.
O relatório enfatiza que a proteção dos rios amazônicos é um imperativo ambiental, social e econômico. A solução passa por ações integradas em toda a bacia, com o fortalecimento de iniciativas de manejo comunitário e o reconhecimento do conhecimento dos povos indígenas. Proteger os peixes da Amazônia é garantir o futuro da própria floresta.
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