Espécie invasora e venenosa, o peixe-leão foi encontrado em uma das praias mais famosas de Salvador. Entenda os riscos para banhistas e para o ecossistema marinho da Bahia.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A captura de ao menos dois exemplares do peixe-leão no Porto da Barra, uma das praias mais movimentadas de Salvador, acendeu um alerta entre autoridades e banhistas. Atualizado em 9 de setembro de 2026. A presença da espécie invasora, conhecida por seus espinhos venenosos e apetite voraz, representa uma dupla ameaça: para a segurança das pessoas e para o equilíbrio do ecossistema marinho local.
O peixe-leão (Pterois volitans) é uma espécie nativa da região do Indo-Pacífico e considerada invasora no Oceano Atlântico. Sua proliferação é preocupante por dois motivos principais: não possui predadores naturais eficientes na costa brasileira e é um predador voraz, alimentando-se de peixes e crustáceos nativos, o que ameaça a biodiversidade local e a pesca artesanal. Segundo o instrutor de mergulho Robson Oliveira, o animal pode comer cerca de 30 espécies por dia.
A presença do peixe-leão não é um fato isolado. O primeiro registro oficial na Bahia ocorreu em fevereiro de 2025, em Morro de São Paulo. Desde então, a espécie tem se espalhado. Em Porto Seguro, no sul do estado, quase 500 exemplares foram retirados do mar em aproximadamente um mês, levando a prefeitura a criar um plano de enfrentamento que paga R$ 10 por peixe capturado.
Em Salvador, os registros se intensificaram. Além do Porto da Barra, já foram avistados exemplares no Farol da Barra e em Boa Viagem. Mergulhadores relatam que "os peixes estão sendo encontrados cada vez mais perto das pessoas", aumentando a preocupação com acidentes.
O principal risco para humanos está no contato com seus 18 espinhos venenosos, que injetam uma toxina neuromuscular.
O contato com os espinhos pode causar dor intensa, inchaço, vermelhidão e sensação de queimação no local. Em casos mais graves, podem ocorrer náuseas, vômitos, tontura, febre e até convulsões, segundo informações de órgãos ambientais.
A orientação das autoridades, como a Salvamar, é clara:
O perigo reside no contato acidental com seus espinhos venenosos. Embora a espécie prefira habitar recifes de corais e áreas rochosas, sua crescente proximidade com áreas de banho em Salvador, relatada por mergulhadores, aumenta o risco de acidentes.
Não. Ele é uma espécie exótica invasora, originária dos oceanos Indo-Pacífico. Sua presença no Atlântico causa desequilíbrio ecológico por não ter predadores naturais na região.
A Secretaria do Meio Ambiente da Bahia (Sema) iniciou o "Curso de Manejo Seguro do Peixe-Leão" em Salvador e Itaparica para capacitar profissionais. Em Porto Seguro, um plano municipal incentiva financeiramente a captura por pescadores para controle populacional e pesquisa científica.
A captura do peixe-leão no Porto da Barra é um sintoma da expansão de uma espécie invasora que representa uma séria ameaça à biodiversidade marinha da Bahia e à segurança de quem frequenta suas praias. A colaboração da população, seguindo as orientações de segurança e reportando avistamentos, é fundamental para o trabalho de monitoramento e controle realizado pelas autoridades.
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