A proliferação do peixe-leão, espécie invasora e venenosa, mobiliza Porto Seguro (BA). Quase 500 exemplares foram retirados. Entenda a ameaça.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A prefeitura de Porto Seguro, no sul da Bahia, está oferecendo uma recompensa de R$ 10 por cada exemplar de peixe-leão capturado. Em cerca de um mês, 442 peixes da espécie invasora foram retirados do mar em uma iniciativa para conter a proliferação do animal, que ameaça o ecossistema marinho local. Atualizado em 1 de setembro de 2026.
A medida faz parte do Plano Municipal de Enfrentamento ao Peixe-Leão, uma parceria entre a Colônia de Pescadores e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Causa Animal (Semac). Segundo a bióloga Aluane Silva Ferreira, da prefeitura, o incentivo financeiro é uma estratégia temporária para conscientizar os pescadores sobre a gravidade do problema e seu impacto na pesca regional. O programa deve ser mantido por mais um mês e, depois, ter o valor reduzido gradualmente.
O peixe-leão (Pterois volitans), nativo da região indo-pacífica, representa uma dupla ameaça: ecológica e para a saúde humana.
Por ser uma espécie exótica no litoral brasileiro, o peixe-leão não possui predadores naturais, o que favorece sua rápida multiplicação. Além disso, é um predador voraz, capaz de consumir até 20 peixes em 30 minutos, competindo diretamente com espécies nativas e desequilibrando a cadeia alimentar. Cada fêmea pode depositar até 30 mil ovos, que eclodem em apenas 26 dias.
O animal possui 18 espinhos venenosos em suas nadadeiras. O contato com eles pode causar dor intensa, inchaço, náuseas e, em casos mais graves, convulsões e dificuldade para respirar. A recomendação é que a captura seja feita apenas por pessoas treinadas.
O primeiro registro oficial do peixe-leão no Parque Natural Municipal Marinho do Recife de Fora, em Porto Seguro, ocorreu em junho de 2026. No entanto, a espécie já havia sido identificada na Bahia em 2025, em Morro de São Paulo e Maraú. No Brasil, a primeira aparição data de 2014, no Rio de Janeiro.
Os exemplares capturados em Porto Seguro são encaminhados ao Laboratório de Ecologia e Conservação Marinha da Universidade Federal do Sul da Bahia (LECOMAR/UFSB) para estudos sobre sua genética, alimentação e comportamento. A médio e longo prazo, a prefeitura avalia promover o consumo humano da espécie, com a realização de torneios de pesca e festivais gastronômicos como forma de controle populacional.
Sim, a carne do peixe-leão é comestível e seu consumo é incentivado em alguns locais como forma de controle. O veneno está concentrado nos 18 espinhos externos, que devem ser removidos com cuidado durante a limpeza. A carne (filé) não apresenta riscos.
A orientação das autoridades é não tocar, manusear ou tentar capturar o animal. Embora representem um risco se tocados, eles não costumam ser agressivos. Caso aviste um, o ideal é se afastar e, se possível, informar as autoridades locais.
A iniciativa de Porto Seguro de pagar pela captura do peixe-leão é uma resposta emergencial a uma grave ameaça ecológica. A ação combina o conhecimento dos pescadores locais com a pesquisa científica para controlar a espécie invasora, proteger a biodiversidade marinha e mitigar os impactos sobre a pesca, uma atividade econômica vital para a região.
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