Conhecido como peixe-guitarra, este animal marinho enfrenta a extinção crítica devido à pesca predatória para o comércio de barbatanas. Entenda a ameaça.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O peixe-guitarra, uma criatura singular que se assemelha a um híbrido de tubarão e arraia, está criticamente ameaçado de extinção. A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) identificou o peixe-guitarra gigante (Rhynchobatus djiddensis) como o peixe marinho mais ameaçado do mundo, com declínios populacionais superiores a 80% em poucas décadas. Atualizado em 22 de junho de 2026.
A principal causa para este colapso é a pesca predatória, impulsionada pela alta valorização de suas barbatanas no mercado asiático, onde são usadas na controversa sopa de barbatana de tubarão. Este cenário reflete uma crise maior que afeta tubarões e raias globalmente.
Apesar da aparência que lembra um tubarão, o peixe-guitarra pertence à família das raias (Rhinobatidae). Seu corpo achatado e nadadeiras peitorais largas são características de arraia, enquanto a cauda robusta se assemelha à de um tubarão. Essa combinação o torna um predador único dos fundos marinhos em águas quentes.
Sua biologia, no entanto, o torna extremamente vulnerável. Assim como muitos tubarões, os peixes-guitarra têm crescimento lento, atingem a maturidade sexual tardiamente e produzem poucos descendentes, o que impede a recuperação de suas populações diante da pesca intensiva, conforme detalhado por especialistas da Unesp.
A sobrevivência do peixe-guitarra é ameaçada por uma combinação de fatores, todos ligados à atividade humana nos oceanos.
A principal ameaça é a pesca direcionada para a remoção de suas barbatanas, que estão entre as mais valiosas no comércio global. Segundo a Wildlife Conservation Society (WCS), essas barbatanas são altamente cobiçadas para a produção de sopa, um prato considerado de luxo em países asiáticos. A prática do finning — cortar as barbatanas e descartar o animal ainda vivo no mar — é uma das atividades mais cruéis associadas a este mercado.
Muitos peixes-guitarra também são capturados acidentalmente por redes de arrasto e outras técnicas de pesca industrial não seletivas, que visam outras espécies como atum e camarão. A pesca de arrasto, em particular, captura indiscriminadamente toneladas de vida marinha, e cerca de 40% de tudo o que é pescado é descartado, muitas vezes já sem vida, de acordo com dados da GreenBond.
A situação do peixe-guitarra não é um caso isolado. Um estudo publicado na revista Nature revelou que a abundância global de tubarões e raias oceânicas diminuiu 71% desde 1970, principalmente devido à sobrepesca. Hoje, 36% das mais de 1.200 espécies de tubarões e raias são consideradas ameaçadas de extinção.
O Brasil, embora não seja um grande consumidor de sopa de barbatana, desempenha um papel central nesta cadeia predatória. O país é o maior importador mundial de carne de tubarão, frequentemente vendida sob o nome genérico de "cação". Essa demanda pela carne permite que a pesca de tubarões continue, alimentando indiretamente o lucrativo comércio de barbatanas.
O finning é a prática de capturar um tubarão ou raia, cortar suas barbatanas e devolver o animal, muitas vezes ainda vivo, ao oceano. Sem as nadadeiras, ele não consegue nadar, afunda e morre por asfixia ou predado. A prática é proibida no Brasil desde 1998.
Sim. "Cação" é um nome genérico para qualquer espécie de tubarão ou raia. Uma pesquisa da Sea Shepherd Brasil mostrou que 69% dos brasileiros não sabem disso. Ao consumir cação, há uma grande chance de estar comendo a carne de uma espécie ameaçada de extinção, como tubarões-martelo ou o próprio peixe-guitarra, e incentivando a continuidade da pesca predatória.
A IUCN aponta o peixe-guitarra gigante como o peixe marinho mais ameaçado do mundo. Outras espécies em situação crítica incluem o peixe-serra, diversas espécies de tubarão-martelo e o tubarão-galha-branca-oceânico, cuja população diminuiu 98% nos últimos 60 anos, segundo a National Geographic.
O peixe-guitarra simboliza uma crise silenciosa nos oceanos. Sua luta contra a extinção evidencia os impactos devastadores da pesca predatória e do comércio ilegal de barbatanas. A conservação de espécies como esta depende de ações urgentes, incluindo a fiscalização rigorosa contra a pesca ilegal, a regulamentação do comércio e a conscientização dos consumidores sobre o impacto de suas escolhas, como o consumo de cação.
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