Símbolo da conservação no Brasil, Astro sobreviveu a dezenas de colisões e agora terá seu habitat protegido por decisão que obriga uso de protetores de hélice.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O peixe-boi-marinho Astro, de 35 anos e quase meia tonelada, que sobreviveu a 34 atropelamentos por embarcações no litoral de Sergipe e da Bahia, recebeu proteção da Justiça Federal. A decisão, motivada por um grave acidente em fevereiro de 2026 e pelo constante assédio de turistas, impõe medidas emergenciais para garantir a segurança do animal, um símbolo da conservação da fauna marinha no Brasil. Atualizado em 30 de agosto de 2026.
Atendendo a um pedido do Ministério Público Federal (MPF), a 7ª Vara Federal de Sergipe determinou uma série de ações para reduzir os riscos à vida do peixe-boi. A principal medida é a instalação obrigatória de protetores de hélice, conhecidos como "gaiolas", em todas as embarcações que circulam nas áreas frequentadas pelo animal. Segundo o portal UOL, citado pelo Jornal Massa, os equipamentos custam entre R$ 300 e R$ 900.
Além disso, a Marinha do Brasil, através das Capitanias dos Portos de Sergipe e da Bahia, deverá intensificar a fiscalização dos limites de velocidade, especialmente em fins de semana e feriados. Órgãos ambientais e governos locais também foram incumbidos de criar um plano de sinalização e campanhas educativas para alertar sobre a presença de Astro e proibir que ele seja tocado, alimentado ou receba bebidas.
Ao longo de sua vida, Astro sofreu 34 colisões documentadas com barcos motorizados. O episódio mais grave ocorreu em 1º de fevereiro de 2026, na Praia do Saco (SE), quando a hélice de uma embarcação abriu cinco cortes profundos em seu corpo. Um dos ferimentos atingiu 22 centímetros de extensão e seis de profundidade, expondo o animal a um grave risco de infecção.
A popularidade de Astro também se tornou um perigo. Relatórios apresentados à Justiça registram que turistas e banhistas tentam abraçá-lo, beijá-lo, montar em suas costas e até oferecem bebidas como refrigerante e cerveja. A prática de molestar mamíferos aquáticos é uma infração ambiental, sujeita a multas.
Astro é um marco na conservação da espécie no país. Resgatado recém-nascido no Ceará em 1991, ele se tornou, em 1994, o primeiro peixe-boi-marinho a ser reabilitado e reintroduzido na natureza no Brasil. Por seu valor histórico e afetivo, foi declarado Bem de Interesse Cultural do Estado de Sergipe.
Sua proteção é ainda mais urgente pois a espécie (Trichechus manatus) foi recentemente reclassificada pelo Ministério do Meio Ambiente como "Criticamente em Perigo (CR)", o nível mais alto de ameaça antes da extinção na natureza.
A Justiça Federal ordenou a instalação obrigatória de protetores de hélice em barcos, o reforço na fiscalização de velocidade de navegação e a criação de campanhas para impedir que turistas toquem, alimentem ou ofereçam bebidas ao animal.
Astro é um símbolo da conservação marinha por ser o primeiro peixe-boi reintroduzido na natureza no Brasil. Ele também é considerado Patrimônio Natural de Sergipe e pertence a uma espécie classificada como criticamente em perigo de extinção.
A intervenção judicial representa um passo crucial para a sobrevivência de Astro, cuja história de resiliência evidencia a dupla ameaça do tráfego náutico desordenado e do assédio humano. As medidas visam não apenas proteger um animal icônico, mas também garantir a preservação da biodiversidade no litoral de Sergipe e da Bahia.
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