Wikie e Keijo, as últimas orcas em cativeiro na França, vivem em tanques degradados após o fechamento do Marineland. Entenda a polêmica e as opções.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Wikie, de aproximadamente 25 anos, e seu filho Keijo, de 13, são as últimas orcas em cativeiro na França. Nascidos em cativeiro, eles nunca viram o oceano e hoje vivem em tanques com água turva e tomados por algas no Marineland Antibes, um parque marinho fechado desde janeiro de 2025. A situação, que gerou comoção internacional, expõe as falhas na transição pós-cativeiro após uma lei proibir shows com cetáceos no país. Atualizado em 5 de junho de 2026.
O Marineland Antibes encerrou suas atividades após a aprovação de uma lei francesa em 2021 que proíbe espetáculos com mamíferos marinhos a partir do fim de 2026. Segundo o parque, 90% dos visitantes iam ao local para assistir às apresentações com cetáceos, tornando o modelo de negócio inviável. Contudo, a legislação não previu um plano para a realocação dos animais existentes, deixando Wikie e Keijo em um limbo.
A condição precária dos animais ganhou destaque global após o ativista Seph Lawless divulgar imagens de drone mostrando as orcas imóveis em tanques sujos, o que mobilizou a opinião pública e celebridades como Joaquin Phoenix e Bella Hadid, conforme relatado pela BBC.
A estrutura do parque representa um perigo crescente. O próprio Marineland reconheceu que as piscinas chegaram ao fim de sua "vida útil" e alertou para a possibilidade de colapso, o que poderia resultar na morte dos animais. Relatórios citados pela imprensa internacional apontam para uma "deterioração progressiva" da estrutura, com rachaduras e falhas que comprometem a segurança das orcas.
A definição do futuro das orcas é complexa e envolve diferentes propostas, cada uma com seus desafios e defensores.
Especialistas são unânimes em afirmar que soltar Wikie e Keijo no oceano não é uma opção viável. Por terem nascido e vivido toda a vida em cativeiro, eles dependem de humanos para alimentação e cuidados, não sabendo caçar ou sobreviver no ambiente selvagem. O biólogo marinho Eduardo Bessa, da UnB, avalia que a adaptação seria improvável e o risco de não sobreviverem, altíssimo.
Uma das alternativas consideradas foi a transferência para o Loro Parque, em Tenerife, na Espanha. Em maio de 2026, o ministro francês da Transição Ecológica, Mathieu Lefèvre, chegou a afirmar que a mudança ocorreria em breve. No entanto, a proposta foi criticada por ativistas, que a veem como uma perpetuação do modelo de exploração, e enfrentou bloqueios de autoridades espanholas anteriormente.
A proposta mais apoiada por organizações de bem-estar animal é a transferência para um santuário marinho. O governo francês confirmou apoio ao envio das orcas para o Whale Sanctuary Project, na Nova Escócia, Canadá. Este local permitiria que os animais vivessem em uma área costeira delimitada, em água do mar e com mais espaço, ainda que recebendo cuidados humanos. A transferência está prevista para o verão de 2026, quando o santuário deve ficar pronto.
Wikie é uma orca fêmea de cerca de 25 anos e Keijo é seu filho, de 13 anos. Ambos nasceram em cativeiro no parque Marineland Antibes e são os últimos indivíduos da espécie mantidos nessas condições na França.
O parque fechou em janeiro de 2025 devido à inviabilidade financeira causada por uma lei francesa de 2021, que proibiu a realização de espetáculos com cetáceos, principal atração do local.
O destino mais provável, apoiado pelo governo francês, é a transferência para o Whale Sanctuary Project, um santuário marinho na Nova Escócia, Canadá, prevista para ocorrer até o final do verão de 2026.
O caso de Wikie e Keijo se tornou um símbolo dos desafios de encerrar a era dos parques marinhos. Enquanto uma solução definitiva se aproxima com a proposta do santuário canadense, a situação de urgência nos tanques degradados do Marineland serve como um alerta global sobre a responsabilidade com animais que passaram a vida inteira em cativeiro.
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