O Mar Morto está recuando e revelando nascentes de água doce em suas margens. Entenda a explicação geológica por trás das dolinas e a relação com profecias.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O surgimento de poças e nascentes de água doce nas bordas do Mar Morto, um dos corpos d'água mais salgados do planeta, é um fenômeno geológico que tem gerado debates. A explicação está no contínuo recuo do nível do lago, que expõe aquíferos subterrâneos antes ocultos, segundo geólogos do Instituto Geológico de Israel (GSI). Atualizado em 7 de agosto de 2026.
Geólogos que monitoram a região explicam que, à medida que a linha da costa do Mar Morto recua, aquíferos de água doce que antes estavam sob a superfície do lago ficam expostos. Essa água doce, ao emergir, dissolve antigas camadas de sal soterradas no subsolo. Esse processo provoca o colapso do terreno e a formação de milhares de crateras, conhecidas como dolinas.
Muitas dessas dolinas são preenchidas pela água das nascentes, criando pequenas lagoas de água doce isoladas. Nesses novos ecossistemas, já foram registrados peixes, plantas, aves e outros organismos, um contraste com a aridez e a ausência de vida do lago principal. De acordo com o GSI, mais de 9 mil dolinas já foram documentadas apenas na margem israelense.
O desaparecimento do Mar Morto é uma consequência direta da ação humana e das mudanças climáticas. Nas últimas décadas, países como Israel, Jordânia e Síria desviaram grande parte do fluxo do Rio Jordão e seus afluentes para abastecimento urbano e irrigação agrícola. Com a drástica redução da entrada de água e a intensa evaporação natural da região, o nível do lago diminui cerca de 1,2 metro por ano.
Para muitos religiosos, o fenômeno remete a uma antiga profecia registrada no livro de Ezequiel 47, na Bíblia. O texto descreve um rio que brota do templo de Deus em Jerusalém, flui para o "mar oriental" (identificado como o Mar Morto) e torna suas águas saudáveis, permitindo o surgimento de peixes e vida abundante. A repercussão dessa interpretação aumentou após o fotógrafo Noam Bedein registrar, em 2016, imagens de peixes nadando em uma dessas poças de água doce.
Apesar da associação, cientistas e mesmo alguns estudiosos religiosos apontam que o fenômeno observado não representa a transformação do Mar Morto como um todo, mas sim a criação de pequenos oásis em suas bordas, sem alterar a salinidade extrema do lago principal.
Não. Pesquisadores ressaltam que o corpo principal do lago permanece extremamente salino, com concentração de sal quase dez vezes superior à dos oceanos. A vida observada limita-se às lagoas de água doce isoladas em suas margens, que não se misturam com a água do lago.
Não diretamente nas águas hipersalinas do Mar Morto. Os peixes e outras formas de vida foram registrados apenas nas poças e lagoas de água doce que se formaram nas dolinas ao longo da costa, que são ecossistemas separados do lago principal.
Dolinas são crateras ou depressões no terreno que se formam quando a água doce subterrânea dissolve camadas de sal no subsolo, causando o colapso da superfície. Milhares delas já surgiram ao redor do Mar Morto devido ao recuo de suas águas, representando um risco para estradas e áreas turísticas.
O surgimento de vida nas margens do Mar Morto é um exemplo notável de como a natureza responde a transformações impostas pelo homem. Enquanto a ciência aponta para um processo hidrogeológico claro, impulsionado pelo recuo do lago, o fenômeno continua a alimentar interpretações espirituais e a fascinar observadores em todo o mundo. O fato, no entanto, é que o Mar Morto, como ecossistema único, enfrenta um grave risco ecológico.
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