Sete indivíduos do muriqui-do-norte, espécie criticamente ameaçada, foram reintroduzidos na Mata Atlântica mineira após sete anos de preparação. Entenda a importância do projeto.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Sete indivíduos do muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus), o maior primata das Américas e uma das espécies mais ameaçadas do Brasil, foram soltos em uma área de Mata Atlântica em Minas Gerais no início de agosto. A reintrodução, que ocorreu na região de Conceição do Ibitipoca, em Lima Duarte, é o resultado de um complexo projeto de conservação que durou sete anos. Atualizado em 20 de agosto de 2026.
A soltura foi conduzida pelo Muriqui Instituto de Biodiversidade (MIB) em parceria com o Ibiti Projeto. Os sete animais faziam parte da "Muriqui House", um espaço de seis hectares de mata preservada criado para reabilitar e socializar primatas resgatados de áreas isoladas, onde corriam risco de desaparecer. Segundo Fabiano Melo, primatólogo da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e um dos coordenadores do trabalho, esta é a primeira vez que se tenta formar um grupo de muriquis na mata com tamanha complexidade.
O processo de reabilitação foi crucial, pois muitos animais encontrados sozinhos perdem habilidades sociais essenciais para a vida em grupo. O objetivo do projeto foi "fazer um muriqui virar muriqui de novo", recuperando seu comportamento social antes de devolvê-lo à natureza.
A operação foi meticulosamente planejada. Os sete muriquis passaram a última noite em um recinto construído próximo à floresta. Na manhã seguinte, uma passarela de madeira que ligava a estrutura à mata foi aberta, permitindo que os animais saíssem voluntariamente para a liberdade. O momento foi registrado por câmeras e drones, sem a presença humana próxima para não interferir no processo.
Uma semana antes, outros três muriquis, resgatados do município de Peçanha, também foram reintroduzidos na mesma região. A expectativa dos pesquisadores é que os dois grupos se encontrem, se reproduzam e formem uma nova população com maior diversidade genética, aumentando as chances de sobrevivência da espécie.
O trabalho não termina com a soltura. Os animais serão monitorados continuamente por meio de diversas tecnologias:
O muriqui-do-norte é uma espécie endêmica da Mata Atlântica e está classificada como "Criticamente em Perigo" de extinção. Restam apenas cerca de mil indivíduos na natureza, distribuídos em 12 populações isoladas. A fragmentação de seu habitat e a caça são as principais ameaças.
Além de sua importância simbólica, o muriqui desempenha um papel fundamental como "jardineiro da floresta". Ao se alimentar de frutos, ele dispersa sementes e contribui para a regeneração e manutenção da biodiversidade da Mata Atlântica.
O muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus) é o maior primata das Américas, podendo pesar até 15 kg. É uma espécie endêmica da Mata Atlântica brasileira, conhecida por seu comportamento social pacífico, sem um macho dominante definido, e por seu papel vital na dispersão de sementes.
Estima-se que existam apenas cerca de mil indivíduos de muriquis-do-norte vivendo na natureza, divididos em 12 populações conhecidas no Sudeste do Brasil. Por isso, a espécie é considerada criticamente ameaçada de extinção.
A soltura ocorreu na Mata da Boa Vista, uma área preservada dentro do território do Ibiti Projeto, localizado no distrito de Conceição do Ibitipoca, município de Lima Duarte, na Zona da Mata de Minas Gerais.
A reintrodução deste grupo de muriquis-do-norte representa um marco histórico e uma esperança para a conservação da espécie. O sucesso do projeto, que combina pesquisa científica, tecnologia e anos de dedicação, pode servir de modelo para futuras iniciativas de manejo e proteção da biodiversidade da Mata Atlântica.
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