Considerado extinto até o fim do século XX, o macaco-de-nariz-arrebitado-de-tonkin vê sua população crescer graças a esforços de conservação no Vietnã. Entenda como a restauração de seu habitat é crucial para a sobrevivência da espécie.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Esforços de conservação e restauração de habitat no norte do Vietnã estão trazendo esperança para o macaco-de-nariz-arrebitado-de-tonkin (Rhinopithecus avunculus), um dos primatas mais raros e ameaçados do mundo. Atualizado em 22 de junho de 2026, um censo recente revelou um aumento na população da espécie, que já foi considerada extinta, impulsionado por medidas de proteção e recuperação de florestas.
Nativo do Vietnã, este primata é conhecido por sua aparência singular: um rosto com pele azulada, lábios rosa brilhantes e um nariz distintamente achatado e arrebitado. Sua pelagem varia entre o preto e o branco, e sua longa cauda o auxilia na locomoção entre as árvores de florestas subtropicais, seu habitat natural, localizadas em altitudes de 200 a 1.200 metros.
A espécie, também chamada de macaco-de-nariz-arrebitado-de-Dollman, está listada como criticamente ameaçada de extinção e faz parte da lista dos 25 primatas mais ameaçados do planeta, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
A história da conservação do macaco-de-nariz-arrebitado-de-tonkin é marcada por desafios. Após ser redescoberto em 1989, a população continuou em declínio, chegando a apenas 60 indivíduos em 2002, conforme aponta a organização Poliseres. As principais ameaças sempre foram a caça ilegal, muitas vezes para uso na medicina tradicional, e a perda de habitat devido ao desmatamento e à mineração.
No entanto, o trabalho de organizações como a Fauna & Flora International (FFI) em parceria com comunidades locais e o governo vietnamita tem gerado resultados positivos. Um censo recente na floresta de Khau Ca, seu habitat mais importante, registrou cerca de 160 indivíduos, elevando a população total estimada para aproximadamente 250 animais. Este número representa um avanço significativo, considerando que a área de Khau Ca abriga cerca de 80% da população total da espécie.
A principal estratégia para salvar a espécie tem sido a proteção e expansão de áreas de conservação, como a Reserva Natural Cham Chu e a Área de Conservação de Espécies e Habitats de Khau Ca. Segundo a FFI, o maior desafio atual é o desmatamento. As ações de conservação incluem:
Ele é endêmico do norte do Vietnã, habitando florestas subtropicais de folhas largas e bambu em regiões montanhosas, geralmente entre 200 e 1.200 metros de altitude.
A população total estimada em 2026 é de aproximadamente 250 indivíduos, com a maior concentração (cerca de 160) vivendo na área florestal de Khau Ca, no Vietnã.
As principais ameaças são a perda e degradação de seu habitat natural devido ao desmatamento para agricultura e mineração, além da caça ilegal para alimentação e para o comércio de partes usadas na medicina tradicional.
Embora a população do macaco-de-nariz-arrebitado-de-tonkin ainda seja extremamente baixa e a espécie permaneça em estado crítico, os resultados dos recentes esforços de conservação são um sinal de esperança. A proteção rigorosa e a restauração de seu habitat são fundamentais para garantir que este primata único não desapareça, demonstrando que ações coordenadas podem reverter cenários de extinção iminente.
Entenda como a poeira do deserto do Saara viaja milhares de quilômetros para depositar 22 mil toneladas de fósforo e nutrir a Floresta Amazônica anualmente.
Entenda por que a sucuri amarela é menor e mais ágil que a gigante sucuri verde. Conheça as adaptações de habitat, cor e metabolismo que a distinguem.
Um peixe-lua, um dos maiores peixes ósseos do mundo, foi avistado na costa paulista. Entenda o comportamento deste gigante marinho, sua alimentação e por que ele se aproxima do litoral.
Felino macho, batizado de Tape'ỹ, foi resgatado em Foz do Iguaçu, passou por avaliação veterinária e agora é monitorado por GPS no Parque Nacional do Iguaçu.