Registro inédito, feito por armadilhas fotográficas do projeto Onçafari, amplia o conhecimento sobre a espécie e levanta questões sobre seu comportamento.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Um lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) foi registrado pela primeira vez na parte baixa do Parque Nacional do Itatiaia, no Rio de Janeiro. O flagrante inédito foi feito em outubro por armadilhas fotográficas do projeto Onçafari, que monitora a fauna na região. Atualizado em 29 de outubro de 2026.
O Parque Nacional do Itatiaia possui ecossistemas distintos. A parte alta, um planalto com campos de altitude e vegetação mais aberta, compartilha características com o Cerrado, habitat tradicional do lobo-guará. No entanto, o novo registro ocorreu na parte baixa, uma área de Mata Atlântica com matas mais densas e fechadas, onde a presença da espécie é considerada incomum, conforme detalhado pelo projeto Conexão Planeta.
O flagrante ocorreu na trilha dos Três Picos, e este foi o primeiro registro da espécie na parte baixa durante o monitoramento conduzido pela Onçafari na unidade de conservação, segundo o ICMBio.
A presença do maior canídeo da América do Sul em uma área de mata fechada levanta novas questões para os pesquisadores. Gabriela Burattini, bióloga e líder de monitoramento no Onçafari, destacou a relevância da descoberta.
“Este é um registro relevante porque amplia nosso conhecimento sobre a ocorrência da espécie no parque e levanta questões sobre o uso desses ambientes”, explicou Burattini ao Conexão Planeta. Ela acrescenta que a ocorrência pode estar ligada à exploração de novas áreas ou à busca por recursos, mas que essas hipóteses ainda precisam ser investigadas.
O registro do lobo-guará é um dos resultados do projeto de monitoramento de fauna realizado desde 2024 no parque, uma parceria entre o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a Onçafari e a Jaguar Land Rover. O projeto utiliza armadilhas fotográficas para ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade local.
Além do lobo-guará, o monitoramento já identificou outras espécies ameaçadas, como:
De acordo com o G1, uma das campanhas de monitoramento registrou 24 espécies de mamíferos, incluindo o primeiro registro do furão e do mão-pelada pelas câmeras do projeto.
O registro é importante porque a parte baixa do Parque do Itatiaia é uma área de mata fechada, um habitat atípico para o lobo-guará, que prefere ambientes abertos como o Cerrado. A descoberta sugere que a espécie pode estar explorando novos territórios, o que amplia o conhecimento científico sobre seu comportamento.
Sim. O lobo-guará é classificado como "Vulnerável" (VU) pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e "Quase Ameaçado" (NT) pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), segundo dados do monitoramento divulgados pelo ICMBio.
O monitoramento da fauna no Parque Nacional do Itatiaia já registrou diversas espécies ameaçadas, incluindo a onça-parda, o queixada e o gato-do-mato-pequeno, reforçando a importância da unidade de conservação para a biodiversidade.
O avistamento inédito do lobo-guará na parte baixa do Parque Nacional do Itatiaia é um marco para a conservação e pesquisa da fauna brasileira. O dado, coletado pelo projeto Onçafari, não apenas confirma a resiliência da espécie, mas também sublinha a importância do monitoramento contínuo para entender como os animais se adaptam e utilizam diferentes ecossistemas.
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