Conhecida por seu canto e beleza, a juruva é uma ave da Mata Atlântica que passa semanas escavando túneis em barrancos para criar seu ninho. Saiba mais.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma juruva (Baryphthengus ruficapillus) foi registrada passando mais de 20 dias em um trabalho meticuloso de escavação de um túnel para construir seu ninho na Mata Atlântica, na região de Lumiar. Atualizado em 28 de setembro de 2026, o monitoramento revela o comportamento singular desta ave, que prepara um abrigo subterrâneo para sua próxima geração.
Diferente de muitas aves que constroem ninhos em galhos, a juruva tem o hábito de escavar túneis em barrancos de terra. De acordo com o biólogo Kassius Klay Santos, esse túnel pode ter entre 60 centímetros e 1,20 metro de profundidade, terminando em uma câmara onde os ovos são depositados. A espécie é versátil e também pode aproveitar estruturas já existentes, como tocas abandonadas de tatus ou formigueiros de saúva, para nidificar.
A postura geralmente consiste de dois a três ovos brancos. Em alguns casos, dois casais podem construir ninhos lado a lado, com túneis separados por apenas 23 centímetros, conforme aponta o portal WikiAves.
A juruva é uma ave de aproximadamente 42 centímetros com uma plumagem marcante que mistura tons de verde, azul e laranja, além de uma máscara preta característica na região dos olhos. Apesar de suas cores vibrantes, é uma ave discreta que habita o interior das florestas, onde pode ser vista ciscando o solo em busca de alimento.
Sua alimentação é variada, incluindo grandes insetos, moluscos, pequenos répteis e alguns frutos. As juruvas costumam ser observadas em casais e são conhecidas pelo seu canto grave, emitido principalmente no crepúsculo ou pouco antes do amanhecer, que pode ser confundido com o de uma coruja por observadores menos experientes.
A importância da juruva é tão grande que a espécie foi instituída como ave-símbolo da Mata Atlântica no estado de Mato Grosso do Sul, através da Lei nº 6.563/2025, após um processo de consulta pública. A medida visa promover a imagem da espécie em campanhas de educação ambiental.
A juruva está fortemente associada ao bioma da Mata Atlântica, ocorrendo principalmente nas regiões Sudeste e Sul do Brasil. Também pode ser encontrada em áreas de Mato Grosso do Sul, Bahia e Goiás, habitando desde baixadas litorâneas até regiões montanhosas com altitudes de até 1.200 metros.
A fêmea da juruva põe de dois a três ovos brancos por ninhada. O ninho é construído no final de um túnel escavado em barrancos ou aproveitando tocas de outros animais.
Sim, existe uma lenda indígena associada à família das juruvas (Momotidae) para explicar a cauda em formato de "raquete" presente em algumas espécies. Segundo a tradição, a ave teria queimado parte das penas da cauda ao carregar uma brasa para reacender o fogo que mantinha o sol aceso. É importante notar que a juruva-verde (Baryphthengus ruficapillus) não possui essa característica na cauda, que é comum em outras aves da mesma família.
O registro da juruva escavando seu ninho por semanas destaca a complexidade e a dedicação presentes no comportamento das aves da Mata Atlântica. Símbolo de um dos biomas mais ricos do Brasil, a juruva encanta não apenas por sua beleza, mas também por seus hábitos únicos de nidificação e por sua importância ecológica e cultural.
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