Uma pesquisa da UFRPE monitora a grande população de jacarés-de-papo-amarelo no Açude de Apipucos, no Recife. Entenda o estudo e como conviver com segurança.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Dezenas de pontos de luz brilhando na água do Açude de Apipucos, na Zona Norte do Recife, chamaram a atenção em um vídeo que viralizou nas redes sociais. O que pareciam vagalumes eram, na verdade, os olhos de jacarés. Atualizado em 22 de junho de 2026, o fenômeno levou pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) a intensificar o monitoramento da população local de jacarés-de-papo-amarelo (Caiman latirostris), a espécie mais comum em Pernambuco.
O estudo é conduzido pelo projeto "Ecologia e Conservação de Jacarés", uma parceria entre a UFRPE e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Desde 2013, o projeto já identificou mais de mil jacarés em rios e açudes da Região Metropolitana do Recife, e um dado crucial é que não há registros de ataques a humanos nesse período, conforme apontam os pesquisadores.
O monitoramento em Apipucos foi priorizado a partir de 2025 devido à crescente proximidade entre os animais e os moradores. À noite, os cientistas usam lanternas para contar os animais, aproveitando o tapetum lucidum, uma estrutura nos olhos dos jacarés que reflete a luz e os faz brilhar, permitindo a contagem sem a necessidade de captura.
Moradores antigos da região, como Antônio Marcelino, relatam que a aproximação dos jacarés das residências se intensificou a partir da década de 1990. Segundo ele, o aumento da poluição no açude fez desaparecer peixes de qualidade, como tucunarés e piabas, levando os jacarés, que antes ficavam em áreas mais isoladas, a se deslocarem em busca de alimento.
Especialistas afirmam que a convivência é segura, desde que certas regras sejam respeitadas. Os jacarés-de-papo-amarelo se alimentam de animais de pequeno porte, como peixes, aves e roedores, e não veem humanos como presas. O principal risco surge quando as pessoas alimentam os animais silvestres.
A espécie predominante no açude e em toda a Região Metropolitana do Recife é o jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris). Eles podem atingir até três metros de comprimento, mas geralmente medem entre dois e dois metros e meio.
Os olhos dos jacarés possuem uma estrutura chamada tapetum lucidum, uma camada de tecido que reflete a luz de volta através da retina. Isso melhora a visão noturna e causa o brilho característico quando uma lanterna é apontada em sua direção, método utilizado pelos pesquisadores para a contagem.
Ao avistar um jacaré, a orientação dos especialistas é manter uma distância segura, não tentar interagir e, principalmente, nunca oferecer comida. A observação cautelosa não oferece riscos, mas a aproximação e a alimentação podem criar situações perigosas.
A presença de uma população expressiva de jacarés no Açude de Apipucos é um reflexo da capacidade da vida selvagem de se adaptar a ambientes urbanos. A pesquisa da UFRPE é fundamental para monitorar a saúde desses animais e orientar a população. A convivência harmoniosa e segura depende diretamente do respeito aos limites e do entendimento de que alimentar animais silvestres é uma prática perigosa e prejudicial.
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