Uma operação com helicópteros despejará iscas envenenadas na Ilha Marion para erradicar roedores que atacam albatrozes vivos. Entenda a medida drástica.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Um plano de grande escala para erradicar uma população invasora de camundongos na Ilha Marion, território sul-africano próximo à Antártida, prevê o uso de helicópteros para despejar até 550 toneladas de iscas envenenadas. A medida drástica, planejada para o inverno de 2027, visa salvar albatrozes e outras 18 espécies de aves marinhas que estão sendo devoradas vivas pelos roedores. Atualizado em 9 de setembro de 2024.
Introduzidos acidentalmente no século XIX por navios de caça de focas, os camundongos se proliferaram sem predadores naturais na Ilha Marion. De acordo com especialistas, as mudanças climáticas nas últimas décadas, com o aumento das temperaturas, tornaram a ilha mais hospitaleira para os roedores, estendendo sua temporada de reprodução e causando uma explosão populacional estimada em mais de um milhão de indivíduos.
Com a escassez de invertebrados, sua fonte de alimento tradicional, os camundongos passaram a atacar os ninhos de aves marinhas. O comportamento se tornou mais agressivo, com ataques registrados a filhotes e até albatrozes adultos. As aves, que evoluíram sem predadores terrestres, não apresentam mecanismos de defesa e são atacadas lentamente, morrendo por infecções secundárias ou inanição, conforme relatado por pesquisadores.
A operação é uma iniciativa do projeto "Mouse-Free Marion", uma parceria entre o governo da África do Sul e a organização BirdLife South Africa. O plano consiste em usar de quatro a seis helicópteros para espalhar iscas com raticida por toda a área de 297 quilômetros quadrados da ilha. O objetivo é a erradicação completa, pois a sobrevivência de um único casal de camundongos poderia comprometer todo o esforço.
"Temos que nos livrar de cada último rato. Se restar um único casal, eles podem se reproduzir e voltar a causar danos", destacou Mark Anderson, CEO da BirdLife South Africa, em comunicado sobre o projeto.
Esta não é a primeira tentativa de controlar espécies invasoras na ilha. Na década de 1940, cinco gatos foram introduzidos para caçar os camundongos, mas seus descendentes se tornaram selvagens e passaram a predar as aves marinhas, chegando a matar 455 mil pássaros por ano na década de 1970. Os gatos foram erradicados com sucesso em 1991, mas a população de camundongos permaneceu e cresceu.
Segundo os responsáveis pelo projeto, a isca rodenticida foi projetada para não afetar o solo, as fontes de água ou os invertebrados nativos. As aves marinhas, que se alimentam no mar, também não devem ser impactadas diretamente pela ação.
A operação está programada para o inverno de 2027 porque, neste período, a maioria das aves migra para outros locais e os camundongos estão mais famintos, o que aumenta a probabilidade de consumirem as iscas envenenadas.
Conservacionistas estimam que, se a praga de camundongos não for controlada, 19 das 29 espécies de aves que se reproduzem na ilha podem desaparecer localmente dentro de 50 a 100 anos, representando um colapso ecológico para um dos santuários de aves marinhas mais importantes do planeta.
A erradicação dos camundongos na Ilha Marion é uma medida extrema, mas considerada essencial por cientistas para restaurar o equilíbrio ecológico e evitar a extinção local de diversas espécies de aves, incluindo o icônico albatroz-errante. O sucesso da operação pode se tornar um marco em projetos de conservação de ilhas em todo o mundo.
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