Bombeiros em São Francisco do Sul (SC) encontraram um guará-vermelho ferido em uma linha de pesca durante um treino. Saiba mais sobre o resgate e a história da ave.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma equipe dos Bombeiros Voluntários de São Francisco do Sul, no Litoral Norte de Santa Catarina, resgatou um guará-vermelho, ave rara e símbolo da fauna local, que estava preso em uma linha de pesca. O encontro ocorreu durante um treinamento de busca e salvamento aquático na região do Monte de Trigo. Atualizado em 9 de setembro de 2026.
Durante um exercício de rotina no mar, os bombeiros se depararam com a ave em uma situação crítica. O guará-vermelho estava com o material sintético fortemente enrolado em uma das asas, o que o impedia de voar e se alimentar, conforme relatado pela equipe de resgate. A operação para retirar o animal da água foi delicada para evitar novos ferimentos.
O momento foi registrado pelo bombeiro David Ary Butzke. Após o salvamento, a ave foi encaminhada para avaliação e tratamento com a equipe de medicina veterinária da Univille. O incidente acende um alerta sobre os perigos que resíduos como linhas de pesca representam para a vida selvagem.
O resgate ganha maior importância devido ao histórico do guará-vermelho no estado. Considerada vulnerável à extinção em Santa Catarina, a espécie chegou a desaparecer do litoral catarinense por décadas, principalmente entre os anos 1950 e 1970, período de intensa ocupação humana e degradação dos manguezais.
Segundo o biólogo e ornitólogo Alexandre Goose, o retorno da ave começou a ser observado a partir dos anos 1980, com indivíduos vindo do litoral de São Paulo. Em 2011, a espécie foi novamente registrada oficialmente na Baía Babitonga. Hoje, a população na região é estimada em cerca de 3.500 indivíduos, um sinal da recuperação ambiental e da importância da preservação dos mangues.
A sobrevivência e o sucesso reprodutivo do guará-vermelho estão diretamente ligados à saúde dos manguezais. É neste ecossistema que a ave constrói seus ninhos, se abriga e encontra sua principal fonte de alimento: pequenos caranguejos ricos em carotenoides, substância que confere a cor vermelha vibrante às suas penas.
A coloração intensa de suas penas não é genética, mas resultado de sua dieta. A ave se alimenta de pequenos caranguejos que possuem carotenoides, um pigmento natural que é absorvido e depositado nas penas, conferindo o tom vermelho vivo.
A espécie chegou a ser considerada extinta em Santa Catarina, mas retornou. Atualmente, é classificada no estado como "vulnerável à extinção". A população vem crescendo, mas a preservação de seu habitat, o manguezal, é crucial para sua sobrevivência a longo prazo.
Os guarás-vermelhos são avistados principalmente nos manguezais da Baía Babitonga, que abrange cidades como Joinville e São Francisco do Sul. A Ilha Jarivatuba, em Joinville, é um dos principais pontos de reprodução da espécie no estado.
O resgate do guará-vermelho pelos bombeiros em São Francisco do Sul é um lembrete da dupla realidade da espécie: por um lado, a ameaça constante representada pela poluição e, por outro, o sucesso de seu retorno a um ecossistema que luta para se manter preservado. A sobrevivência desta ave emblemática depende diretamente da conservação dos manguezais catarinenses.
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