Governo australiano propõe medidas drásticas para conter o impacto de gatos na biodiversidade, incluindo toque de recolher e caça de animais ferais. Entenda.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O governo da Austrália propôs um plano de ação para controlar a população de gatos, considerados uma espécie invasora responsável pela morte de bilhões de animais nativos anualmente. As medidas, que ainda estão em consulta pública, incluem a autorização para caça e eutanásia de gatos ferais, além de novas restrições para animais domésticos. Atualizado em 22 de junho de 2026.
A decisão foi motivada por um relatório das Nações Unidas que identificou espécies invasoras como a principal causa de perda de biodiversidade no país. Segundo a ministra do Meio Ambiente, Tanya Plibersek, os gatos são responsáveis pela morte de cerca de dois bilhões de animais nativos por ano, incluindo mamíferos, aves e répteis, ameaçando mais de 200 espécies locais em risco de extinção, conforme apurado pela Folha de Pernambuco e O Globo.
O plano de ação visa controlar tanto os gatos ferais (descendentes de domésticos que se tornaram selvagens) quanto os domésticos. As principais propostas em discussão são:
O documento foi liberado para consulta pública, permitindo que a população opine sobre as novas regras, como informado pela Revista Fórum.
Sim. Embora um gato feral mate mais animais individualmente, o impacto dos domésticos é significativo. Uma pesquisa da professora Sarah Legge, da Universidade Nacional Australiana, revelou que um gato doméstico mata, em média, 186 animais por ano, enquanto um feral mata 748. No entanto, como os gatos domésticos se concentram em áreas urbanas e suburbanas com maior densidade, o número total de presas por hectare nessas áreas é superior ao causado pelos gatos ferais na natureza, segundo o estudo divulgado pelo portal Aventuras na História.
Legge destaca que os impactos "se misturam", pois "animais de estimação podem se tornar animais de rua e os de rua podem se tornar selvagens", justificando a necessidade de ações para ambos os grupos.
Os gatos não são nativos da Austrália e se tornaram uma espécie invasora. Sua alta capacidade de predação causa um desequilíbrio ecológico, sendo diretamente responsáveis pela morte de bilhões de animais nativos anualmente e contribuindo para a extinção de diversas espécies locais.
Não. O governo divulgou um esboço do plano de ação e abriu uma consulta pública para receber a opinião da população sobre as medidas propostas. A implementação dependerá dos resultados dessa consulta.
Sim, muitos governos locais já possuem restrições. Em Mount Barker, por exemplo, cada família pode ter no máximo dois gatos. Na Ilha Christmas, um território australiano, foi proibida a entrada de novos felinos e exigida a esterilização de todos os gatos de estimação existentes, como reportado por O Globo.
O plano do governo australiano reflete um dilema entre a proteção de sua biodiversidade única e a gestão de uma população de gatos ferais e domésticos. As medidas propostas são controversas, mas as autoridades as consideram um passo necessário para evitar a perda contínua de espécies nativas.
Uma operação usou cabras com transmissores para erradicar 140 mil invasoras em Galápagos. Entenda como a técnica ajudou a restaurar a vegetação e a fauna.
A presença de golfinhos na orla carioca encanta banhistas e é um bom sinal ambiental. Entenda por que os animais aparecem e qual a espécie mais comum.
Uma tentativa de controlar ratos na Ilha Marion com cinco gatos em 1949 gerou uma crise ecológica. Entenda por que hoje é necessária uma operação de R$ 127 milhões.
Em 1949, cinco gatos foram levados à Ilha Marion para conter ratos. A medida gerou uma crise ambiental que agora exige uma operação de US$ 25 milhões. Entenda.