A capital mexicana afunda em ritmo alarmante devido à extração de água subterrânea, causando rachaduras e danos à infraestrutura. Entenda o fenômeno.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 22 de junho de 2026. A Cidade do México, uma das maiores metrópoles do mundo, está afundando a um ritmo alarmante de até 24 centímetros por ano, o equivalente a cerca de 2 centímetros por mês. O fenômeno, visível do espaço, é causado principalmente pela extração excessiva de água do aquífero subterrâneo sobre o qual a cidade foi construída, comprimindo o solo argiloso e colocando em risco edifícios, ruas e a infraestrutura essencial para seus 22 milhões de habitantes.
A causa do afundamento, tecnicamente chamado de subsidência, é uma combinação de fatores geológicos e humanos. A cidade foi erguida pelos astecas sobre uma ilha no antigo Lago Texcoco, e posteriormente expandida pelos espanhóis sobre o leito drenado do lago, resultando em um subsolo macio e rico em argila, conforme detalhado em estudos da Universidade Nacional Autônoma do México. A extração contínua de água subterrânea para abastecer a população remove o suporte hídrico das camadas de argila, fazendo com que elas se compactem sob o peso da urbanização.
Os efeitos da subsidência são evidentes em toda a cidade. Estruturas históricas, como a Catedral Metropolitana e o Palácio Nacional, na praça central do Zócalo, apresentam inclinações visíveis. Um dos exemplos mais emblemáticos é o monumento Anjo da Independência, que já precisou da adição de 14 degraus em sua base para compensar o desnível do solo ao seu redor desde sua inauguração em 1910, segundo a Agência Brasil. Além disso, o fenômeno causa:
Novos dados do satélite Nisar, uma missão conjunta da NASA com a agência espacial indiana, monitoram o movimento do solo em tempo real com alta precisão. Análises realizadas entre 2025 e 2026 confirmaram que algumas áreas, incluindo as proximidades do Aeroporto Internacional Benito Juárez, estão entre as que afundam mais rapidamente no mundo. Essa tecnologia permite um mapeamento detalhado das áreas mais críticas, ajudando a prever e mitigar danos à infraestrutura vital, como aponta a agência espacial americana.
A taxa de afundamento varia pela cidade, mas as áreas mais afetadas chegam a registrar uma queda de até 24 centímetros por ano, ou 2 centímetros por mês, de acordo com dados recentes da NASA. Em décadas passadas, como nos anos 1990, alguns pontos chegaram a afundar até 35 cm anualmente.
Não. Pesquisadores afirmam que o processo de compactação do solo é irreversível. Mesmo que a extração de água fosse interrompida hoje, o solo continuaria a se compactar por cerca de 150 anos. A solução criaria outro problema imediato, já que o aquífero ainda fornece cerca de metade da água potável da capital.
Os monumentos mais citados como exemplos visíveis do afundamento são a Catedral Metropolitana, o Palácio Nacional e, principalmente, o Anjo da Independência, que teve sua base ampliada com degraus adicionais para se manter acessível.
O afundamento da Cidade do México é um desafio crônico que expõe a vulnerabilidade de uma metrópole construída sobre uma base geológica instável e dependente de recursos hídricos subterrâneos. Enquanto a tecnologia de satélite aprimora o monitoramento, a cidade enfrenta um futuro de adaptação contínua para proteger sua infraestrutura e seu patrimônio histórico das consequências de um chão que não para de ceder.
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