Extinto na natureza por décadas, o cavalo selvagem takhi renasce na Mongólia. Saiba como um projeto internacional salvou a espécie e hoje 354 vivem livres.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Considerado extinto na natureza por quase três décadas, o cavalo selvagem takhi voltou a correr livre pelas estepes da Mongólia em um dos projetos de conservação mais bem-sucedidos da história. Atualizado em 22 de agosto de 2026, o Parque Nacional Hustai abriga hoje 354 desses animais, e a população total no país já se aproxima de 800 indivíduos.
O takhi, conhecido internacionalmente como cavalo-de-Przewalski, é considerado o único cavalo verdadeiramente selvagem que sobrevive até hoje. Diferente de outras populações, como os mustangs, que são descendentes de cavalos domesticados, o takhi possui uma linhagem genética distinta, com 66 cromossomos em vez dos 64 dos cavalos domésticos. Para os mongóis, o animal é um símbolo nacional de resistência e liberdade. "Takhi significa respeito e adoração. Fala do espírito livre e da resistência", afirmou Dashpurev Tserendeleg, diretor do Parque Nacional Hustai.
A jornada para salvar o takhi foi um esforço internacional que durou décadas. A espécie desapareceu de seu habitat natural após o último avistamento registrado em 1968, sobrevivendo apenas em cativeiro.
No final do século 19 e início do século 20, o interesse de zoológicos e colecionadores europeus levou à captura de dezenas de cavalos. Entre 1897 e 1903, das 88 crias capturadas na Mongólia, apenas 12 deixaram descendentes em cativeiro, que se tornaram a única esperança para a sobrevivência da espécie.
Na década de 1970, conservacionistas holandeses iniciaram um programa de reprodução para ampliar a população cativa. Em 5 de junho de 1992, os primeiros 15 cavalos foram levados de volta à Mongólia, iniciando o processo de reintrodução em Hustai. Os animais passaram por um período de adaptação para reaprender a sobreviver no clima rigoroso e a lidar com predadores. "Eles tinham passado algumas gerações na Europa (...) e praticamente tinham esquecido tudo: o que era neve, o que era um lobo", explicou Tserendeleg.
Apesar do sucesso, a conservação do takhi enfrenta novas ameaças. A mudança climática e a pressão sobre as pastagens, causada pelo aumento do rebanho doméstico da Mongólia (cerca de 58 milhões de animais), degradam o habitat. Para mitigar o problema, o parque, que gera 90% de sua receita com o turismo, apoia iniciativas de renda alternativa para as comunidades nômades locais, como artesanato e agricultura em estufas, reduzindo a dependência da pecuária.
Atualmente, existem cerca de 800 cavalos takhi na Mongólia, distribuídos em três populações reintroduzidas. A maior delas, com 354 animais, vive no Parque Nacional Hustai.
A espécie foi declarada extinta na natureza após o último avistamento em 1968. O desaparecimento foi causado principalmente pela captura excessiva para zoológicos e colecionadores europeus no início do século 20, que dizimou a população selvagem.
O takhi é o único cavalo verdadeiramente selvagem, o que significa que nunca foi domesticado. Geneticamente, ele possui 66 cromossomos, enquanto os cavalos domésticos e seus descendentes selvagens (ferais) têm 64.
O retorno do cavalo takhi à Mongólia é uma prova de que a cooperação internacional pode reverter quadros críticos de extinção. O sucesso do projeto não apenas salvou uma espécie icônica, mas também restaurou um símbolo de orgulho nacional e impulsionou a conservação de todo o ecossistema das estepes mongóis.
Dados da NASA, NOAA e Copernicus confirmam que o buraco sobre a Antártida teve tamanho e duração reduzidos, um forte sinal da recuperação do planeta. Entenda.
Após mais de 40 anos em zoológico de Sorocaba (SP), o paquiderme inicia nova vida em Chapada dos Guimarães. Saiba como foi a jornada de 1.600 km.
Sinais como mudança na cor da pele e menos estresse indicam a adaptação de um elefante. Entenda como a equipe avalia o bem-estar de Sandro no novo lar.
Um filhote encontrado por acaso na Bolívia em 2016 foi a chave para uma descoberta histórica. Entenda como cientistas brasileiros identificaram o 'tigrinho boliviano'.