Um experimento abandonado com resíduos de laranja na Costa Rica resultou em um aumento de 176% na biomassa e recuperou uma área degradada. Entenda o caso.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Um experimento que descartou 12 mil toneladas de cascas de laranja em uma área degradada na Costa Rica resultou na criação de uma floresta tropical exuberante. Pesquisadores que retornaram ao local 16 anos depois encontraram um aumento de 176% na biomassa e um solo significativamente mais rico. Atualizado em 22 de junho de 2026.
A iniciativa começou em meados dos anos 1990, quando os ecólogos Daniel Janzen e Winnie Hallwachs, da Universidade da Pensilvânia, propuseram um acordo à empresa de sucos Del Oro. A companhia poderia descartar suas cascas e polpa de laranja em uma área de pastagem degradada de três hectares na Área de Conservação de Guanacaste, em troca da doação de terras para o parque nacional, conforme relatado pela BBC e Gizmodo.
Durante cerca de um ano, mais de 1.000 caminhões despejaram os resíduos orgânicos no local. A ideia era que a decomposição natural do material enriquecesse o solo empobrecido por décadas de pecuária. No entanto, o projeto foi abruptamente interrompido após uma ação judicial movida pela TicoFrut, uma empresa concorrente, que alegou que a Del Oro estava "profanando" um parque nacional. A Suprema Corte da Costa Rica decidiu a favor da TicoFrut em 2000, e a área foi abandonada.
Em 2013, o pesquisador Timothy Treuer, da Universidade de Princeton, visitou o local e encontrou uma transformação surpreendente. A antiga pastagem árida havia se tornado uma floresta tão densa que a sinalização original do experimento estava encoberta pela vegetação, segundo o portal Xataka.
A análise científica comparou a área tratada com um lote vizinho que não recebeu os resíduos e revelou resultados impressionantes:
Os pesquisadores acreditam que a espessa camada de cascas de laranja suprimiu o crescimento de gramíneas invasoras e, ao se decompor, funcionou como um poderoso fertilizante, acelerando a regeneração natural.
As cascas de laranja funcionaram por dois motivos principais. Primeiro, a camada espessa de resíduos sufocou as gramíneas invasoras que impediam o crescimento de árvores nativas. Segundo, a decomposição do material orgânico enriqueceu o solo pobre com nutrientes essenciais, criando um ambiente favorável para a regeneração da floresta tropical.
Não. O projeto foi interrompido em 1998, apenas alguns anos após seu início, devido a uma batalha legal. Uma empresa rival processou os responsáveis, e a Suprema Corte da Costa Rica considerou o contrato ilegal em 2000, encerrando a iniciativa. A área ficou abandonada por mais de uma década até ser redescoberta por cientistas.
O caso das cascas de laranja na Costa Rica tornou-se um exemplo marcante de como resíduos agrícolas podem ser usados em estratégias de restauração ambiental de baixo custo. O experimento demonstrou que um material considerado lixo pode, sob as condições certas, acelerar a recuperação de ecossistemas, aumentar a biodiversidade e promover o sequestro de carbono, transformando um problema industrial em uma solução para o meio ambiente.
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