A temperatura do asfalto pode passar de 60°C, mas a sombra de uma árvore reduz a sensação térmica. Entenda como cidades usam sensores para mapear o calor.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Em dias de calor intenso, a temperatura que sentimos durante um passeio na rua pode ser muito diferente da previsão oficial. Iniciativas em cidades como Rio de Janeiro, Curitiba e Fortaleza estão usando sensores para mapear esses "microclimas" e entender por que uma calçada de asfalto pode se tornar uma ilha de calor, enquanto a vizinha, sob a sombra de árvores, oferece alívio. Atualizado em 22 de junho de 2026.
Cidades brasileiras como Rio de Janeiro e Curitiba instalaram sensores de baixo custo diretamente no pavimento para identificar áreas onde a temperatura do asfalto ultrapassa os 60°C. Segundo o portal Olhar Digital, esses dispositivos transmitem dados em tempo real, permitindo que gestores públicos criem mapas de calor detalhados por rua e horário.
Essa abordagem, também adotada em Fortaleza, ajuda a identificar os bairros que mais sofrem com a retenção de calor. Globalmente, a metodologia é semelhante: na Cidade do Cabo, África do Sul, voluntários usaram sensores acoplados a carros para medir os diferentes níveis de calor pela cidade, revelando grandes disparidades entre áreas densas e bairros mais arborizados, conforme relatado pelo WRI Brasil.
Os dados coletados mostram que a composição do ambiente urbano é o fator central para a variação de temperatura. Áreas com mais asfalto, concreto e pouca vegetação absorvem e retêm mais calor, criando as chamadas "ilhas de calor". Em contraste, a presença de árvores e parques pode reduzir drasticamente a temperatura sentida. De acordo com o Olhar Digital, sombras urbanas planejadas podem diminuir a sensação térmica em até 10 graus Celsius em horários de pico solar.
A diferença de temperatura entre calçadas próximas se deve a múltiplos fatores. O principal é a exposição solar direta e o material da superfície. O asfalto convencional, por exemplo, pode absorver entre 80% e 95% da radiação solar, atuando como uma "bateria térmica" que libera calor durante o dia e a noite.
Além disso, termômetros de rua comuns sofrem influência de edificações, da pavimentação e de gases emitidos por veículos, que geram calor adicional, como explica uma matéria do Portal Multiplix. Por isso, eles frequentemente marcam temperaturas mais altas que as estações meteorológicas oficiais, que seguem padrões internacionais para medir a temperatura do ar sem essas interferências locais.
Ilhas de calor são áreas urbanas que registram temperaturas significativamente mais altas do que suas áreas rurais ou suburbanas vizinhas. O fenômeno é causado pela concentração de edifícios, asfalto e outras superfícies que absorvem e retêm calor, somada à falta de vegetação.
As árvores ajudam a reduzir a temperatura de duas formas principais: fornecendo sombra, que bloqueia a radiação solar direta de atingir o solo, e através da evapotranspiração, um processo em que a água evaporada das folhas resfria o ar ao redor. O plantio estratégico de árvores é uma das soluções mais eficazes para mitigar o calor urbano.
A temperatura de um termômetro de rua reflete as condições daquele microclima urbano específico, incluindo o calor irradiado pelo asfalto e prédios. Embora não seja adequada para estudos climáticos gerais, ela mostra o calor real ao qual um pedestre está exposto naquele ponto, que é frequentemente maior que a temperatura do ar medida oficialmente.
O uso de sensores para mapear o calor em nível de rua é uma ferramenta poderosa para o planejamento urbano. Ao identificar os pontos mais críticos, as cidades podem implementar soluções eficazes, como o plantio de árvores e a criação de refúgios climáticos, tornando os passeios mais seguros e melhorando a qualidade de vida da população diante do aumento global das temperaturas.
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