Salesópolis (SP) cria Unidade de Conservação com 5,7 mil hectares para proteger o bicudinho-do-brejo-paulista, ave criticamente ameaçada. Saiba como a medida visa garantir a sobrevivência da espécie e conservar as nascentes do Alto Tietê.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A Prefeitura de Salesópolis, no interior de São Paulo, oficializou a criação de um refúgio de vida silvestre com 5,7 mil hectares para proteger o bicudinho-do-brejo-paulista (Formicivora paludicola), uma das aves mais raras do Brasil e endêmica do estado. Atualizado em 13 de julho de 2026, o decreto protege áreas de brejo nas cabeceiras do Alto Tietê, habitat crucial para a espécie criticamente ameaçada de extinção.
O Refúgio de Vida Silvestre do Bicudinho-do-Brejo-Paulista, assinado em abril de 2026, é a segunda e maior unidade de conservação dedicada à ave, somando-se ao refúgio de 2.372 hectares criado em Guararema em 2019. A nova área em Salesópolis, com mais de 5.660 hectares, protege uma das últimas populações conhecidas da espécie, estimada entre 14 e 27 indivíduos no município, segundo a SAVE Brasil.
A iniciativa é resultado de uma parceria entre a Prefeitura de Salesópolis, o Ministério Público, a SAVE Brasil, a Rainforest Trust e a American Bird Conservancy (ABC). "A criação deste refúgio em Salesópolis representa um marco fundamental para a sobrevivência do Bicudinho-do-Brejo-Paulista, pois protege uma das últimas áreas onde a espécie ainda pode prosperar com segurança", afirmou Alice Reisfeld, diretora-executiva da SAVE Brasil.
A medida não beneficia apenas a ave. A unidade de conservação também contribui para a proteção das nascentes que abastecem a região metropolitana de São Paulo e resguarda outras espécies ameaçadas que habitam a área, como o pixoxó (Sporophila frontalis) e o gavião-real-falso (Buteogallus coronatus).
O bicudinho-do-brejo-paulista enfrenta um risco crítico de extinção devido à sua extrema dependência de um habitat muito específico: brejos de água limpa com vegetação de taboa e junco. As principais ameaças à sua sobrevivência incluem:
O bicudinho-do-brejo-paulista (Formicivora paludicola) é uma pequena ave de cerca de 11 centímetros, endêmica do estado de São Paulo. Descoberta pela ciência apenas em 2004, a espécie vive exclusivamente em áreas de brejo nas bacias do Alto Tietê e Alto Paraíba do Sul.
Os registros confirmados da ave estão restritos a apenas seis municípios paulistas: Salesópolis, Guararema, Mogi das Cruzes, Biritiba-Mirim, Santa Branca e São José dos Campos.
A população global da espécie é extremamente reduzida, estimada entre 250 e 400 indivíduos, o que a classifica como "criticamente ameaçada" de extinção segundo critérios internacionais.
A criação do refúgio em Salesópolis é um passo vital para evitar a extinção do bicudinho-do-brejo-paulista, garantindo a proteção legal de seu habitat. No entanto, a sobrevivência da espécie a longo prazo dependerá de ações contínuas, como o monitoramento da população, a implementação de um plano de manejo para a área e o engajamento da comunidade local na conservação dos brejos.
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