Uma baleia-franca e seu filhote foram avistados no Arpoador com uma rede presa à cabeça, gerando preocupação. Entenda os riscos e relembre um caso de sucesso que inspira a conservação da espécie.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma baleia-franca acompanhada de seu filhote foi avistada na costa do Arpoador, no Rio de Janeiro, com uma rede de pesca presa em sua cabeça e boca, gerando um alerta entre biólogos e ambientalistas. Atualizado em 22 de junho de 2026, o incidente destaca a vulnerabilidade da espécie, ameaçada de extinção no Brasil. Em contraponto, a história de "Sunset", uma baleia resgatada há mais de uma década que retornou com seu próprio filhote, renova as esperanças sobre a eficácia das ações de conservação.
O flagrante da baleia emalhada foi feito pela fotógrafa Emma Monteiro da Rocha e divulgado pelo projeto Amigos da Jubarte. Segundo Thiago Ferrari, diretor do projeto, o animal provavelmente se prendeu em uma "rede de espera", um tipo de artefato de pesca que pode ter quilômetros de extensão. Por ter hábitos costeiros, a baleia-franca (Eubalaena australis) fica mais exposta a esse tipo de ameaça, conforme aponta o G1.
Especialistas reforçam que a população não deve, em hipótese alguma, tentar remover o material por conta própria, pois a situação é de alto risco. A orientação é acionar imediatamente os órgãos ambientais ou projetos especializados caso o animal seja visto novamente.
A situação atual contrasta com uma notável história de sucesso na conservação da espécie. Em 2003, uma jovem baleia-franca fêmea encalhou em uma lagoa em Laguna (SC) e foi resgatada após 30 horas de esforço conjunto. Quinze anos depois, em 2017, pesquisadores do Instituto Australis confirmaram seu retorno ao litoral catarinense, desta vez acompanhada de um filhote. A baleia, catalogada como B291, foi batizada de "Sunset", e seu retorno em 31 de julho motivou a criação do Dia Nacional da Baleia Franca para celebrar a recuperação da espécie.
O hábito de se aproximar da costa para procriar e amamentar, principalmente entre agosto e novembro no litoral de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, torna as baleias-francas vulneráveis. Além do emalhe em redes de pesca, colisões com embarcações e poluição são ameaças constantes, de acordo com dados sobre a espécie. A caça comercial levou a população à beira da extinção no século XX, e apenas com a proibição da atividade a espécie começou a se recuperar lentamente.
O principal ponto de concentração para reprodução é o litoral de Santa Catarina. No entanto, elas podem ser avistadas em sua rota migratória desde o Rio Grande do Sul até o sul da Bahia, com registros mais raros em estados como São Paulo e Rio de Janeiro.
Ao avistar uma baleia presa em redes ou em qualquer situação de risco, mantenha distância e não tente ajudar. A recomendação é contatar imediatamente as autoridades ambientais ou projetos de conservação, como o Projeto Baleia Franca ou o Amigos da Jubarte.
Cada baleia-franca possui um padrão único de calosidades na cabeça, que funcionam como "impressões digitais". Essas formações, que abrigam pequenos crustáceos, permitem que os cientistas cataloguem e monitorem os indivíduos ao longo dos anos, como foi o caso de "Sunset".
O recente flagrante no Rio de Janeiro serve como um duro lembrete dos perigos que as baleias-francas ainda enfrentam no litoral brasileiro. Contudo, a história de "Sunset" prova que os esforços de resgate e conservação são vitais e podem resultar em finais felizes, garantindo que futuras gerações desses gigantes gentis continuem a visitar nossas águas.
Um furão-da-Amazônia criado como animal de estimação foi resgatado após se tornar agressivo. Saiba qual o destino do animal e por que a prática é crime.
O Audubon Photography Awards 2026 premiou imagens incríveis, como um colhereiro na Flórida e um corujão no Chile. Veja os vencedores e as fotos que destacam a beleza e os desafios das aves.
Conheça a história de Richart Sowa, que construiu a Joyxee Island no México com garrafas recicladas, criando uma casa autossuficiente com jardins e mangues.
Conheça a história da Mymba Kuéra, a monumental operação que salvou quase 39 mil animais durante a construção da usina de Itaipu em 1982. Veja como foi.