O distrito de São João da Barra (RJ) enfrenta um severo processo de erosão costeira há mais de 60 anos. Entenda as causas do avanço do mar e o que explica o fenômeno.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O avanço do mar em Atafona, distrito de São João da Barra, no norte do Rio de Janeiro, é um fenômeno de erosão costeira que ocorre há mais de seis décadas, resultando na destruição de centenas de imóveis e na perda de quarteirões inteiros. Atualizado em 8 de setembro de 2026, o processo é atribuído principalmente à redução no volume de areia depositado pelo Rio Paraíba do Sul, combinada com o aumento do nível do oceano e a intensificação de ressacas.
A erosão em Atafona é resultado de um desequilíbrio no balanço de sedimentos. Historicamente, o Rio Paraíba do Sul depositava uma grande quantidade de areia em sua foz, o que criava uma barreira natural contra a energia das ondas, conforme explicam geólogos da UENF e UFF. No entanto, a construção de centenas de barragens ao longo do rio para hidrelétricas e captação de água diminuiu drasticamente esse fluxo de sedimentos. Sem essa reposição, o oceano retira mais areia da praia do que o rio consegue entregar, causando o recuo da linha da costa.
A areia retirada de Atafona não desaparece, mas é transportada pelas correntes marinhas em um processo chamado deriva litorânea. Um estudo da Universidade Federal Fluminense (UFF) demonstrou que, enquanto Atafona perde terreno, a praia vizinha de Grussaí apresenta acreção, ou seja, ganho de areia. Este fenômeno evidencia que os dois processos são opostos e complementares, com o sedimento sendo redistribuído ao longo da costa.
O avanço do mar em Atafona é estimado entre 3 e 5 metros por ano, com alguns trechos específicos registrando taxas de recuo ainda maiores, classificadas como erosão extrema, segundo especialistas.
Desde o início do fenômeno, na década de 1960, mais de 500 edificações foram destruídas, incluindo casas, comércios, um hotel e igrejas. Cerca de 15 quarteirões já foram completamente engolidos pelo mar, segundo relatos e levantamentos históricos.
A Prefeitura de São João da Barra iniciou em 2026 um Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) para analisar a dinâmica costeira e propor soluções. O estudo, com prazo de 18 meses, visa identificar as intervenções mais adequadas, que podem incluir desde obras de engenharia, como quebra-mares, até o manejo da faixa de areia. Atualmente, não há uma solução definitiva em andamento.
Apelidada de "Atlântida brasileira", Atafona é um exemplo claro dos impactos combinados da intervenção humana em bacias hidrográficas e das mudanças climáticas. O cenário de ruínas atrai turistas, mas reflete um drama social e ambiental que desafia o poder público. O futuro do distrito depende dos resultados dos estudos técnicos e da capacidade de implementar projetos complexos de engenharia oceânica para conter um processo que continua a redesenhar o litoral fluminense.
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