Uma moradora de Caracas, na Venezuela, recebe dezenas de araras selvagens em sua janela. Saiba quem é Adriana Hidalgo e por que especialistas alertam sobre o hábito.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A rotina de Adriana Hidalgo, moradora de Caracas, na Venezuela, inclui visitas diárias de dezenas de araras selvagens que pousam em sua janela para receber alimento e atenção. A cena, que viralizou nas redes sociais, revela uma relação de confiança incomum, mas também acende um alerta de especialistas sobre a alimentação de animais silvestres. Atualizado em 5 de setembro de 2026.
Adriana Hidalgo compartilha os encontros em seu perfil no Instagram, @guacamayas212, onde publica vídeos e fotos da interação. Segundo ela, a relação foi construída com paciência, respeito e carinho, resultando em um laço de confiança. "Amor com amor se paga", diz a frase em seu perfil.
As aves chegam a entrar em seu apartamento e parecem se sentir à vontade. Adriana oferece alimentos como sementes de girassol e bananas. Com o tempo, ela passou a reconhecer os visitantes mais frequentes, nomeando alguns deles, como Amadeo e seu filhote, Condorito. "Para alguns, é perder tempo… para mim, é ganhar a vida em instantes", escreveu em uma publicação.
A presença massiva de araras na capital venezuelana é um fenômeno relativamente recente. De acordo com especialistas, muitas dessas aves não são nativas da região. A principal hipótese é que a população atual descende de animais de estimação que escaparam ou foram soltos por seus donos ao longo das décadas. Com o tempo, elas se adaptaram ao ambiente urbano, se reproduziram e se tornaram um símbolo informal da cidade.
A bióloga Malú González, da Universidade Simón Bolívar, já registrou a presença de quatro espécies de araras na cidade. Em uma contagem de 2016, foram identificadas entre 300 e 400 araras-canindé (de plumagem azul e amarela), a espécie mais comum vista nas janelas dos moradores.
Apesar de a cena ser encantadora, especialistas alertam que alimentar animais silvestres pode ser prejudicial. A oferta constante de comida pode alterar seus hábitos alimentares naturais, criar dependência dos seres humanos e expô-los a riscos urbanos. No Brasil, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) recomenda não alimentar animais silvestres.
Um caso no Brasil, divulgado pelo Centro de Reabilitação de Animais Silvestres Pró-Arara, ilustra o perigo: uma arara-canindé morreu eletrocutada ao pousar em um fio enquanto se aproximava para receber comida de um morador. A aproximação de áreas urbanas em busca de alimento aumenta a exposição das aves a esses perigos.
É Adriana Hidalgo, uma moradora de Caracas, Venezuela. Ela documenta a convivência com as aves em seu perfil no Instagram, @guacamayas212, onde compartilha vídeos e fotos das visitas diárias.
A legislação varia conforme o país. No Brasil, o ICMBio orienta a não alimentar animais silvestres, pois a prática pode alterar o comportamento natural das espécies e gerar dependência, além de expô-las a riscos. A recomendação geral de especialistas é observar a fauna a distância.
Adriana Hidalgo nomeou alguns dos visitantes mais assíduos. Entre os mais conhecidos estão uma arara chamada Amadeo e seu filhote, Condorito, que aparecem frequentemente em suas publicações.
A relação entre Adriana Hidalgo e as araras de Caracas é um exemplo notável de como a vida selvagem se adaptou ao cenário urbano. As imagens de confiança e afeto entre humanos e aves são inspiradoras, mas servem como um importante lembrete do alerta de especialistas: a melhor forma de proteger os animais silvestres é permitir que mantenham seus hábitos naturais, observando-os com admiração e à distância.
Conheça a história de Richart Sowa, que construiu a Joyxee Island no México com garrafas recicladas, criando uma casa autossuficiente com jardins e mangues.
Conheça a história da Mymba Kuéra, a monumental operação que salvou quase 39 mil animais durante a construção da usina de Itaipu em 1982. Veja como foi.
Localizado em Chapada dos Guimarães (MT), o primeiro santuário de elefantes da América Latina resgata animais de cativeiro. Saiba como funciona o projeto.
Dados da NASA, NOAA e Copernicus confirmam que o buraco sobre a Antártida teve tamanho e duração reduzidos, um forte sinal da recuperação do planeta. Entenda.