Considerada extinta no Rio de Janeiro, a anta foi vista na Mata Atlântica pela primeira vez em um século, incluindo um filhote. Entenda a importância do retorno.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A anta-sul-americana (Tapirus terrestris), maior mamífero terrestre do Brasil, foi registrada em vida livre na Mata Atlântica do Rio de Janeiro pela primeira vez em mais de 100 anos. Atualizado em 22 de junho de 2026, o flagrante histórico, que inclui uma fêmea com filhote, sugere o estabelecimento de uma nova população e renova as esperanças para a conservação do bioma.
Câmeras instaladas pelo Instituto Estadual do Meio Ambiente (Inea) no Parque Estadual do Cunhambebe, na Costa Verde, capturaram 108 registros da espécie. Entre as imagens, foram identificados grupos de até três indivíduos e uma fêmea acompanhada de seu filhote, um forte indicativo de que os animais estão se reproduzindo na região, conforme divulgado pela Agência Brasil.
O último avistamento oficial de uma anta no estado havia sido em 1914, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos. Desde então, a espécie era considerada extinta na natureza fluminense devido à caça, perda de habitat e urbanização acelerada, segundo informações da CNN Brasil e do portal ND Mais.
“É a primeira vez, em dez décadas, que são flagrados, registrados e monitorados no Rio de Janeiro tais animais em total vida livre, ou seja, indivíduos que não dependeram de ação humana direta ou projetos de reintrodução de fauna", afirmou o Inea em comunicado.
Apelidada de "jardineira da floresta", a anta desempenha um papel ecológico fundamental. Com uma dieta baseada em frutos, ela atua como uma importante dispersora de sementes, contribuindo para a regeneração e a biodiversidade da vegetação nativa. Um estudo da Unesp, citado pela Superinteressante, demonstrou que a ausência de grandes herbívoros como a anta empobrece a floresta, levando a uma superdominância de poucas espécies de árvores e palmeiras.
Apesar da boa notícia, a anta-sul-americana ainda enfrenta sérios riscos. A espécie é classificada como "Vulnerável" pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A principal ameaça é a destruição de seu habitat: a Mata Atlântica, bioma mais degradado do país, possui apenas cerca de 24% de sua cobertura original, de acordo com a Superinteressante.
Além da perda de habitat, os atropelamentos em rodovias representam um dos maiores perigos para a sobrevivência da espécie. A baixa taxa reprodutiva, com uma gestação de 14 meses que gera apenas um filhote por vez, torna cada perda individual um golpe significativo para a recuperação populacional.
O maior mamífero terrestre do Brasil e da América do Sul é a anta-sul-americana (Tapirus terrestris), que pode pesar até 300 quilos na fase adulta.
A anta é crucial por ser uma "jardineira da floresta". Ao comer frutos e se deslocar, ela espalha sementes em suas fezes, o que ajuda a regenerar a vegetação e a manter a diversidade de plantas no ecossistema.
Os registros foram feitos no Parque Estadual do Cunhambebe, uma unidade de conservação de 38 mil hectares que abrange os municípios de Angra dos Reis, Itaguaí, Mangaratiba e Rio Claro, na região da Costa Verde.
O reaparecimento da anta na Mata Atlântica fluminense é um marco para a conservação da biodiversidade brasileira. O evento, especialmente o registro de um filhote, demonstra o sucesso das áreas de proteção ambiental e reforça a necessidade de continuar os esforços para mitigar as ameaças que ainda colocam em risco o futuro do maior mamífero terrestre do país.
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