Oficial temporário da Marinha (RM2) que passa em novo processo seletivo pode ser licenciado e perder a remuneração. Saiba quais são os direitos e os riscos.
Olyvio Marques
Editor · Notícias · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A aprovação de um militar temporário da Marinha, como um Segundo-Tenente da Reserva de 2ª Classe (RM2), em um novo processo seletivo pode gerar uma situação complexa: o licenciamento do serviço ativo e a transferência para a reserva não remunerada, sem direito à compensação pecuniária. Atualizado em 22 de junho de 2026.
Embora a legislação preveja direitos para militares que buscam outras carreiras, a natureza do vínculo temporário do Serviço Militar Voluntário (SMV) impõe condições específicas que podem levar à perda de benefícios. Entenda as regras e os riscos envolvidos.
O Serviço Militar Voluntário (SMV) é a porta de entrada para profissionais de nível superior ou técnico que desejam servir temporariamente na Marinha do Brasil como Oficiais (RM2) ou Praças (RM2). O vínculo é renovado anualmente e pode durar no máximo oito anos, conforme informações da Marinha.
Diferente de um militar de carreira, o RM2 não tem estabilidade e sua atuação é geralmente restrita ao Distrito Naval para o qual prestou o processo seletivo. A remuneração inicial para um oficial RM2 pode chegar a R$ 10.186,40, composta pelo soldo e adicionais militar e de habilitação.
A legislação militar, incluindo o Estatuto dos Militares (Lei 6.880/80), prevê que um militar aprovado em concurso público e convocado para um curso de formação tem o direito de ser afastado temporariamente do serviço ativo, na condição de "agregado".
Nessa situação, o militar pode optar por receber a remuneração do seu cargo anterior ou a bolsa do curso de formação, o que for maior. De acordo com especialistas em direito militar, o licenciamento ou a exclusão de um militar temporário que está frequentando um curso de formação é uma prática considerada ilegal, pois a exclusão do serviço ativo deveria ocorrer apenas após a posse no novo cargo permanente.
O licenciamento é uma das formas de exclusão do serviço ativo que transfere o militar para a reserva não remunerada, ou seja, ele deixa de receber qualquer salário da Força. Para o militar RM2, o contrato é renovado anualmente. A interrupção desse vínculo antes do término do prazo contratual pode levar à perda da indenização pecuniária.
Fontes sobre a carreira de oficial temporário esclarecem que, caso o militar cumpra o contrato anual, ele recebe uma indenização por ano trabalhado. Ao final de oito anos, essa compensação pode ultrapassar R$ 120 mil. No entanto, se o vínculo for interrompido, o militar recebe apenas valores proporcionais de salário, 13º e férias, perdendo o direito à compensação. É essa a brecha administrativa que pode levar um RM2, licenciado para um novo curso, a ficar sem a indenização.
Sim. Militares temporários podem prestar outros concursos, sejam eles civis ou para outras Forças Armadas. Caso aprovados, podem solicitar o desligamento do serviço voluntário, estando sujeitos às regras de quebra de contrato anual.
Significa que o militar é desligado do serviço ativo e passa a compor a reserva das Forças Armadas, mas sem direito a qualquer tipo de salário ou benefício financeiro. O licenciamento é uma das vias que levam a essa condição, conforme previsto nas normas militares.
Não. A compensação financeira está condicionada ao cumprimento integral dos contratos anuais. A interrupção do vínculo antes do prazo, como para iniciar um novo curso de formação, pode resultar na perda desse direito, recebendo apenas verbas proporcionais como férias e 13º salário.
A situação de um militar temporário da Marinha aprovado em um novo processo seletivo é delicada. Embora a legislação garanta o direito à agregação e à opção pela maior remuneração, a natureza do contrato voluntário e anual do RM2 pode levar a uma interpretação administrativa que resulta no licenciamento e na perda da compensação financeira. É fundamental que o militar conheça tanto seus direitos legais quanto as cláusulas de seu contrato temporário antes de tomar uma decisão.
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