A imagem de um gambá resgatado agarrado ao seu salvador viraliza, mas criar o animal como pet é complexo. Saiba o que diz a lei e os cuidados necessários.
Olyvio Marques
Editor · Notícias · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A cena é cativante: um filhote de gambá agarrado às costas ou ao ombro de seu cuidador humano. Histórias de resgate que resultam em um forte laço afetivo têm ganhado as redes sociais, mudando a percepção sobre esses animais. Atualizado em 22 de junho de 2026.
Esse comportamento de "grudar" no salvador tem uma explicação biológica: após um breve período na bolsa da mãe (marsúpio), os filhotes se agarram às costas dela para se locomoverem com segurança. Quando resgatados órfãos, transferem esse instinto para a figura humana que os alimenta e protege. No entanto, a crescente popularidade levanta questões importantes sobre a legalidade e os desafios de manter um animal silvestre em casa.
A percepção dos gambás tem passado por uma transformação significativa. Antes vistos majoritariamente como pragas, hoje são protagonistas em perfis de sucesso no Instagram, como o do gambá Starfish, que acumulou quase 250 mil seguidores. Segundo reportagem do jornal O Globo, essa nova visibilidade ajuda a ressignificar a imagem do animal, que ganha apelidos como "gato de lixo" e inspira a venda de produtos licenciados.
Essa mudança de imagem é impulsionada pela divulgação de sua importância ecológica. Gambás são predadores naturais de escorpiões, pequenas cobras e baratas, ajudando no controle de pragas urbanas, conforme aponta o Jornal DR1.
A resposta direta é não, a menos que haja autorização específica. De acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o gambá não está na lista de animais que podem ser domesticados livremente. O Blog da Cobasi esclarece que criar um gambá como animal de estimação sem as devidas licenças configura crime ambiental, previsto na Lei nº 9.605.
Mesmo em casos de resgate, o procedimento correto é contatar órgãos competentes, como o Corpo de Bombeiros (193) ou a Polícia Ambiental. O objetivo deve ser sempre a reabilitação e, se possível, a reintrodução do animal à natureza, pois uma vez acostumados com humanos, dificilmente conseguem sobreviver sozinhos no ambiente selvagem.
Mesmo com a melhor das intenções, cuidar de um gambá em cativeiro é uma tarefa complexa e cheia de desafios. A revista Meus Animais alerta para diversos problemas:
Não são considerados animais perigosos. Apesar de possuírem dentes grandes e poderem rosnar para se defender, geralmente não atacam humanos. Seu comportamento é uma tática de intimidação, e eles preferem fugir ou se fingir de mortos (tanatose).
São animais onívoros, com uma dieta bastante ampla que inclui frutas, ovos, insetos, aracnídeos, pequenos vertebrados como filhotes de cobras e aves, e até lixo em áreas urbanas, como informa o portal Brasil Escola.
Isso é um mito popular. O animal que esguicha um líquido de odor fétido como defesa é o cangambá (um tipo de doninha). Gambás podem liberar uma secreção de cheiro forte, mas isso ocorre para marcar território, atrair parceiros ou em situações de estresse extremo, não como principal mecanismo de defesa.
Não tente capturar, encurralar ou machucar o animal. Mantenha distância e, se ele parecer ferido ou em risco, entre em contato com o Corpo de Bombeiros (193) ou a Polícia Ambiental da sua cidade para que o resgate seja feito de forma segura e profissional.
A relação de afeto entre um gambá resgatado e seu cuidador é genuína e comovente, mas transformar esse animal silvestre em um pet doméstico envolve sérias responsabilidades legais e éticas. A melhor forma de ajudar é acionar as autoridades competentes, garantindo que o animal receba os cuidados adequados com o objetivo de, sempre que possível, retornar ao seu habitat natural.
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