Após 30 anos, uma missão arriscada planeja recuperar o corpo do alpinista 'Botas Verdes' no Everest. Entenda quem ele era e os desafios da operação.
Olyvio Marques
Editor · Ásia · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Após quase 30 anos servindo como um marco sombrio no Monte Everest, o corpo do alpinista conhecido como "Botas Verdes" pode finalmente ser resgatado. Atualizado em 12 de agosto de 2026. Uma complexa missão organizada pela Índia pretende recuperar os restos mortais, que agora se acredita pertencerem a Dorje Morup, um policial indiano morto em uma nevasca em 1996, e não a Tsewang Paljor, como se pensou por décadas.
O apelido "Botas Verdes" surgiu devido às botas de montanhismo Koflach verde-limão que o alpinista usava, tornando seu corpo instantaneamente reconhecível na rota nordeste do Everest, a cerca de 8.500 metros de altitude. Por quase três décadas, a identidade do corpo foi atribuída a Tsewang Paljor, outro alpinista da mesma expedição que morreu na mesma tragédia.
No entanto, segundo informações da Polícia de Fronteira Indo-Tibetana (ITBP), a identidade foi confirmada como sendo de Dorje Morup, de 47 anos, membro da expedição que tentou escalar a face norte em 10 de maio de 1996. A tragédia, que vitimou Morup e outros dois colegas durante a descida em meio a uma violenta tempestade, ficou mundialmente conhecida e foi retratada no livro "No Ar Rarefeito". A confirmação da identidade foi um passo crucial para o planejamento da missão de resgate.
Recuperar um corpo da "zona da morte" do Everest é uma tarefa extremamente perigosa e cara. A operação, que deve ser conduzida por uma equipe de pelo menos seis a doze sherpas experientes, enfrenta desafios logísticos e ambientais severos.
A altitude superior a 8.000 metros apresenta níveis de oxigênio que são cerca de um terço dos encontrados ao nível do mar, e as temperaturas podem cair para -40°C. Um corpo congelado, junto com o equipamento, pode pesar até 200 quilos, exigindo um esforço físico monumental da equipe de resgate. O terreno na face norte, administrada pela China, é mais íngreme e possui menos infraestrutura de resgate rápido em comparação com o lado nepalês.
Especialistas estimam que a missão pode custar entre 40 mil e 150 mil dólares. O processo envolve não apenas desprender o corpo do gelo, mas também transportá-lo por um terreno traiçoeiro até um local onde possa ser recolhido. Segundo o alpinista Tshiring Jangbu Sherpa, em alguns casos, é necessário amputar membros congelados para viabilizar o transporte, uma medida drástica, mas por vezes necessária.
Para a família de Dorje Morup, a missão representa a esperança de um encerramento após 30 anos de incerteza. Em entrevista à BBC, a esposa de Morup, Konchak Yangskit, relatou a dificuldade em aceitar a morte do marido sem nunca ter visto o corpo. "Em alguns dias, antes de dormir, eu pensava que alguém bateria na porta naquela noite e que, quando eu abrisse, ele estaria lá", disse ela.
O resgate não ocorreu antes devido ao perigo extremo, ao custo proibitivo para a maioria das famílias e à complexidade logística de operar na "zona da morte" do Everest, onde as condições são hostis à vida humana.
Estima-se que cerca de 200 corpos de alpinistas que morreram na montanha ainda permaneçam em suas encostas, muitos deles em locais inacessíveis.
Autoridades indianas, por meio da Polícia de Fronteira Indo-Tibetana, identificaram oficialmente o corpo como sendo de Dorje Morup, um policial de fronteira que morreu na montanha em 1996.
A missão para repatriar o corpo de Dorje Morup encerra um dos mistérios mais duradouros do Everest e traz a possibilidade de paz para sua família. No entanto, a operação sublinha os perigos contínuos que a montanha mais alta do mundo impõe, não apenas para aqueles que tentam conquistá-la, mas também para os que arriscam suas vidas para trazer os mortos de volta para casa.
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