Investigação da PF indica que a Presidência da Câmara deu "pleno aval" para desvio de emendas por Eduardo Cunha. Ministro Flávio Dino bloqueou R$ 6,15 milhões.
Olyvio Marques
Editor · Justiça · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A Polícia Federal (PF) concluiu em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) que há indícios de que a Presidência da Câmara dos Deputados deu "pleno aval" para um esquema de desvio de emendas parlamentares em benefício do ex-deputado Eduardo Cunha (Republicanos-MG). Atualizado em 13 de julho de 2026.
Com base na apuração, o ministro Flávio Dino, do STF, determinou o bloqueio de R$ 6,15 milhões em bens de Cunha, que é investigado por supostamente direcionar ao menos 29 emendas sem exercer cargo eletivo. A investigação aponta que uma servidora da Casa atuava como operadora do esquema.
Segundo a representação da PF, a servidora Mariângela Fialek, conhecida como "Tuca", que atuava na assessoria da Presidência da Câmara, era a responsável por operacionalizar o direcionamento dos recursos a pedido de Cunha. O relatório afirma que "tudo indica que Tuca contava com pleno aval da presidência da Casa para promover os desvios de emendas em favor de Eduardo Cunha", conforme apurado pela Folha de S. Paulo e Metrópoles.
Os investigadores descrevem a situação como um "altíssimo grau de promiscuidade na deliberação do chamado orçamento secreto". A PF sustenta que Cunha, mesmo sem mandato desde 2016, operava como um "agente privado com poderes políticos equivalentes ou até superiores aos de parlamentares em exercício", interferindo no direcionamento de verbas públicas para beneficiar seus interesses políticos em Minas Gerais, estado pelo qual é pré-candidato.
A decisão do ministro Flávio Dino, assinada em 6 de julho, acatou o pedido da PF e, além de bloquear R$ 6,15 milhões de Cunha, suspendeu a execução das emendas sob suspeita. A medida é um desdobramento da Operação Transparência, que investiga a ingerência ilícita de políticos sem mandato na alocação de verbas públicas.
Dino afirmou que as provas, como diálogos em aplicativos de mensagens e planilhas, indicam que o ex-deputado atuou como "mandante do (re)direcionamento de valores públicos", especialmente para sua campanha em Minas Gerais, segundo o portal G1.
Em nota, a defesa de Eduardo Cunha negou as acusações, afirmando que ele não exerce mandato parlamentar e, portanto, "não apresentou, subscreveu ou formalizou nenhuma das emendas". Os advogados rejeitaram a "tentativa de equiparar automaticamente a legítima interlocução política ao exercício clandestino de mandato parlamentar" e informaram que irão recorrer da decisão. Cunha também declarou desconhecer irregularidades na tramitação dos recursos.
A defesa de Mariângela Fialek, por sua vez, comunicou que sua atuação na Câmara era "estritamente técnica, apartidária e impessoal", de acordo com veículos como a Folha de S. Paulo.
Mariângela Fialek, apelidada de 'Tuca', é uma servidora da Câmara dos Deputados que, segundo a PF, atuava na assessoria da Presidência. Ela é apontada como a operadora central do suposto esquema de desvio de emendas, organizando e controlando as cotas de recursos a pedido de Eduardo Cunha.
O ministro Flávio Dino determinou o bloqueio de R$ 6,15 milhões em bens do ex-deputado. Este valor corresponde ao total das emendas que, segundo a investigação, foram direcionadas irregularmente por ele.
A investigação aponta que os diálogos e a liberação das verbas ocorreram em 2025, durante a gestão de Hugo Motta (Republicanos-PB) na presidência da Câmara. Segundo o Metrópoles e O Globo, Cunha é considerado um dos principais aliados e padrinho político de Motta.
A investigação da Polícia Federal lança suspeitas sobre a cúpula da Câmara dos Deputados, indicando um possível aval para que Eduardo Cunha, mesmo sem mandato, continuasse a influenciar a distribuição de milhões em verbas públicas. A decisão do STF de bloquear seus bens representa um avanço significativo na apuração sobre o chamado "orçamento secreto", enquanto a defesa do ex-deputado nega qualquer ilegalidade.
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