Pesquisadores do Projeto EcoTuba capturaram um tubarão-tigre macho a 5 km da Praia de Boa Viagem. Entenda o que a retomada do monitoramento significa para a segurança.
Olyvio Marques
Editor · Pernambuco · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O monitoramento científico de tubarões no Grande Recife registrou um marco nesta sexta-feira (9): a primeira captura de um tubarão-tigre (Galeocerdo cuvier) desde a retomada das atividades, após uma paralisação de 11 anos. Atualizado em 10 de outubro de 2026, o animal capturado é um macho jovem de 1,45 metro, localizado a aproximadamente cinco quilômetros da Praia de Boa Viagem, em uma área com 15 metros de profundidade.
A captura foi realizada pelo Projeto EcoTuba, coordenado pelo Departamento de Pesca e Aquicultura da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) em parceria com o Governo de Pernambuco. A iniciativa integra o Programa Cientista Arretado e tem como objetivo principal entender o deslocamento e o comportamento dos tubarões na costa para subsidiar políticas de prevenção de incidentes, conforme divulgado pela UFRPE.
Com duração prevista de dois anos e um investimento de R$ 2,052 milhões, o projeto pretende marcar e acompanhar até 50 animais. Os dados coletados serão essenciais para o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (CEMIT), auxiliando na tomada de decisões baseadas em evidências científicas.
Embora esta seja a primeira captura de um tubarão-tigre, o projeto já havia registrado outros animais desde seu início em setembro. As capturas anteriores ocorreram em Jaboatão dos Guararapes e incluíram:
De acordo com os pesquisadores, essas duas espécies não são consideradas potencialmente agressivas e não possuem histórico de envolvimento em ataques no estado.
A retomada das pesquisas ocorreu após o registro de dois incidentes graves em menos de 24 horas no Grande Recife, em maio e junho de 2026, que resultaram em amputações de membros de duas vítimas, segundo o Diário de Pernambuco.
Após serem capturados com espinhel, os animais são embarcados, medidos, têm o sexo identificado e recebem marcações. Também são coletadas amostras de tecido, sangue e muco para análises. Em seguida, são devolvidos vivos ao mar, como detalhado pelo projeto.
Não. Segundo especialistas envolvidos no projeto, o registro, por si só, não indica um aumento no risco. O objetivo do monitoramento é justamente produzir informações científicas que permitam compreender a presença desses animais e apoiar ações de prevenção para aumentar a segurança aquática.
A captura do primeiro tubarão-tigre pelo Projeto EcoTuba é um passo fundamental para a ciência e para a segurança pública em Pernambuco. O acompanhamento da espécie, historicamente associada a incidentes no litoral, fornecerá dados inéditos para aprimorar as estratégias de convivência e prevenção na região.
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